quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Proseando sobre... Hanami - Cerejeiras em Flor



 A finitude da vida, a morte inevitável, a angústia a qual ela engrandece, são os temas do belíssimo drama alemão “Hanami - Cerejeiras em Flor”, dirigido e escrito pela diretora Doris Dörrie, que traz os dias do casal Angermeier já com os filhos criados, tocando vagarosamente a vida numa cidade do interior da Alemanha com simplicidade e pacificidade. Trudi (Hannelore Elsner) após ir buscar exames do marido, descobre que ele tem uma doença terminal e não sabe se deve lhe dizer. Seguindo orientação dos médicos, decide realizar alguns sonhos deixados de lado e aproveitar aqueles que seriam os últimos dias dessa união prestes a acabar. Uma de suas maiores vontades era ir até o Japão, mas antes, vão para Berlim onde alguns dos filhos moram e trabalham. Nesse lugar o casal irá se deparar com filhos ocupados e netos que mal os conhece.

Trudi é declarada fã da cultura oriental, sobretudo de Butô. O filme flerta com artifícios japoneses, levando em páginas de um livro imagens do Monte Fugi, lugar de profunda admiração da mulher. Quanto ao marido, Rudi, sem saber de seu estado de saúde, não tem tantas ambições quanto à esposa e aceita acompanhá-la nessa viagem apenas para agradá-la. Mas, para surpresa, o sofrimento acaba comprometendo a vida de Trudi que morre durante o sono num quarto de hotel a beira mar, após dias de profunda aflição e agonia. Nesse ato, ocorre à inversão dos fatos, com Rudi agora sozinho, desesperado com o retraimento repentino, sem saber de sua doença, vivendo o luto e atrás de um sentido para a vida. Ciente da frustração dos filhos por terem de se dedicar a ele, decide ir até o Japão não só para passar os dias com um de seus filhos que mora por lá, mas viver o sonho de sua esposa.

Escrito pela própria Dörrie, o roteiro exalta uma viagem perturbadora, ainda mais para Rudi (vivido por Elmar Wepper) propenso à pacata vida caseira, trazendo as relações familiares estremecidas, com a indiferença dos filhos que consideram a presença dos pais um incômodo. A possibilidade de perdê-los nem passa por suas cabeças. A aparição de moscas no decorrer da história metaforiza a aproximação da morte através da curta vida dos insetos. Já o desprezo vigente mobiliza o público, num misto de mágoa e serenidade, levantando aspectos da relação entre pais e filhos e questionando o valor desta em dias atuais. Discute aí o abandono em asilos, nas ruas ou em casas, facilitando a resolução do problema de dedicar-se ao cuidado. Os dias estão cada vez mais acelerados e o tempo dedicado ao outro parece irrelevante.

Doris Dörrie trata com bastante delicadeza um tema cada vez mais recorrente. E a Alemanha, país tão distante, não parece tão diferente do que acontece no Brasil. O individualismo vitimiza a relação no filme, como exemplo, o contraste entre Rudi com sua simplicidade devota ao trabalho e seus filhos envolvidos completamente com suas singularidades sem espaço para novidades. A narrativa comove pela sutileza combinada a bela fotografia enaltecendo as ruas de Tóquio quando o protagonista visita o Japão, curiosamente vestindo as roupas da mulher como um símbolo, sua companhia, perda recusada em seu luto flagrando solidão. Nesse lugar, convive com a mesma indiferença que vivera em Berlim e encontra numa praça com cerejeiras em flor uma dançarina de Butô, e vive um encantamento que lhe aproxima da esposa, com o cuidado e a atenção que há pouco perdera.   


6 comentários:

  1. Parece ser bem legal! Parabens pelo blog, é lindo!

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    Visite tambem: http://truethoughtsandfeelings.blogspot.com/

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  2. ja estou te seguindo tá

    http://www.paulstepola.blogspot.com/

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  3. Eu vi, porem nao gostei muito do filme, porem o blog apresenta outra faceta, o que deixa muito interessante
    parabens pelo blog
    abraços.

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  4. daora o blog parabens mt bom
    estou te seguindo espero que retribua
    http://planetahuumor.blogspot.com/

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  5. Essa realidade não ocorre somente em países distante, mas nas realidades de pessoas bastante próximas de nós. Sinto muito pelas pessoas que não gostaram, pois ainda não chegou nessa época em sua "maravilhosa" independência.

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  6. Hanami- Cerejeiras em flor.Sensível, para pessoas realmente sensíveis;
    Essa é a realidade ocorre com a maioria dos pais que deram uma boa vida aos filhos, que os popou de muitos problemas.

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