quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Proseando sobre... Zé Colméia



 Zé Colméia é um urso carismático, adepto de comilanças, falante e engraçadíssimo. O conhecemos por causa de seu desenho, talvez algumas crianças não saibam de quem se trata. No filme, lançado recentemente nos cinemas de todo Brasil, ele ainda carrega todas essas características mencionadas, – sobretudo a gula por alimentos que não são de ursos. Mas tanta simpatia parece ter tornado seu longa numa experiência aborrecida onde as piadas, que embora esforçadas e encaixadas em seus devidos lugares, parecem ser reciclagens, heranças do desenho e também de outros filmes parecidos acarretando frustração no espectador sobre a falta de algo novo. Assim, “Zé Colméia – O Filme”, que deveria ser um grandioso e divertidíssimo trabalho, nada mais é do que um filme morno cujo trailer reserva os únicos bons momentos do longa – ao menos aqueles envolvendo piadas. É claro que lições sobre natureza e preservação preenchem o roteiro e nessa reflexão, Zé Colméia e seu fiel parceiro Catatau muito tem a fazer.

Um prefeito não sabe de onde tirar dinheiro para comprar votos e, sem recursos e idéias, se lembra do Parque Jellystone e da mina de ouro que a reserva guarda com tantas árvores. Decide então lotear o local e bate de frente com o guarda-florestal Smith (Tom Cavanagh), defensor absoluto do parque e das famílias que procuram este anualmente em busca de ar puro e um visual bucólico, cada vez mais reduzido em todo o mundo. Algumas situações complicam os ideais deste guarda obrigando-o a somar forças com uma bióloga documentarista Rachel (Anna Faris) juntamente aos ursos Zé Colméia e Catatau. Outro que entra nessa é o ator T.J. Miller, um dos novos nomes das comédias, vivendo o confuso guarda Jones. Nada parece novo? Essa será mesmo a sensação ao final – até o vilão vivido por Andrew Daly cai nas caricaturas tradicionais de longas do gênero, perdendo força, graça e brio. Sem desânimo, isso não estraga o filme. Há alguma diversão.

O personagem Zé Colméia é auto suficiente e o roteiro do trio Jeffrey Ventimilia, Joshua Sternin e Brad Copeland não o difere daquele do desenho, o que é positivo. A direção de Eric Brevig (“Viagem ao Centro da Terra”) coloca seus personagens animados junto a pessoas reais e faz isso com certa competência – e investe ainda no 3D com coisas sendo lançados o tempo todo na tela. O público infantil deverá se divertir enquanto o mais velho talvez torça o nariz. Porém todos acabarão soltando algumas risadas com esse que mesmo não sendo o longa metragem de animação mais aguardado desse tão importante personagem dos desenhos, serve como descontração e lembrança para aqueles que tinham esquecido o atrapalhado Zé Colméia e o cômico Catatau. Entre os bichos ainda criaram uma tartaruga cujas caretas garantem bons momentos. Sem grandes reflexões, sem grandes atuações e sabotado por uma história pouco inventiva, “Zé Colméia – O Filme” não será um grande sucesso no cinema e tampouco com as crianças, na melhor das hipóteses fará com que daqui um tempo decidam trazer o urso para as telonas novamente – e que na próxima façam com que ele seja tão especial como foi nos desenhos o qual alguns aprenderam a idolatrar. 



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