quinta-feira, 5 de maio de 2011

Proseando sobre... Longe Dela


Em "Longe Dela", disponível em DVD, um casal que convive há tantos anos se depara com a possibilidade indesejável do fim quando um se percebe apagando progressivamente da vida. A devastação de uma relação tão duradoura interrompida por consequências da idade, especificamente por uma doença degenerativa que intervém agressivamente no dia a dia. Não sendo o bastante o decreto do fim, o caso ainda reflete em quem está em volta com o severo desgaste emocional e físico, fazendo sofrer juntamente ao doente numa profunda angústia corroborada pela consciência de um estado que tem a tendência de se agravar cada vez mais. O Alzheimer está posto em questão num longa delicadamente esplêndido.

Fiona Anderson (Julie Christie) é uma mulher que começa a apresentar sintomas como a perda de percepção motivando o marido a procurar um médico para saber o que está acontecendo. Subitamente, Fiona é internada numa clínica onde terá de ficar em tratamento por um mês sem poder receber nenhuma visita – essa fora a primeira separação de Fiona e Grant (Gordon Pinsent) depois de 44 anos de casamento. Após o período de internação e cuidados, chega a esperada visita do homem. E é nesse ato que têm-se o primeiro grande impacto do filme. Fiona está em fase de agnosia, e embora ainda reconheça Grant, é incapaz de discernir quem ele é.

Desenrola-se uma história de amor perpetuada na esperança do personagem de Pinsent sobre a condição atual de sua tão querida esposa de alguma maneira se solucionar. De outro lado, Fiona suporta uma estranha e discutível nova condição. A mulher joga cartas com um desconhecido, aparenta uma jovialidade impressionante e sorri como se estivesse consciente e plenamente saudável. Grant torna-se um coadjuvante nesse mundo da esposa. Pinsent esbanja cuidado com seu personagem doce e afável assistindo o avanço do distanciamento de quem sempre amou. O roteiro mostra em vários momentos a relação entre a dupla explorando suas vidas, fazendo uso de simbolismos, contrapondo o presente e o passado, direcionando a um futuro previsível e doloroso.

Julie Christie, cativante em todas as cenas, brilha com sua interpretação. O filme combina a sensatez do roteiro com a fotografia transmitindo beleza em sua serenidade, como o lento caminhar de Fiona sobre a neve deixando um rastro com seus passos até um instante em que simplesmente para e se mantém estática – seu caminho marcante encontrando um fim. "Longe Dela" reflete Grant, a maior vítima da doença, sozinho num declínio, irá testar o público e provavelmente emocionar.

A canadense Sarah Polley, atriz do ótimo "Minha vida sem mim", estréia aqui no roteiro e direção. Tão jovem, concebeu um trabalho maduro que transcende o princípio de muitos diretores considerados gênios hoje em dia. Aos 30 anos, Polley chamou a atenção por trás das câmeras pela precisão fílmica e feeling narrativo adaptando um conto de Alice Monro. Denso dentro de sua premissa, somos convidados a acompanhar a evolução de uma doença e a angústia de um homem que dedicou uma vida a uma pessoa, e convive agora com a ameaça de perdê-la.


3 comentários:

  1. Amo Cinema!
    Mto legal seu blog!
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  3. Olá!

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