Novo filme e novas idéias. A
originalidade com os mitos por sua vez continuam falhos. "Fúria de Titãs
2" é um entretenimento convincente, divertido e nada equilibrado. Tem um
3D eficaz, o que garante a graça do projeto, mas não passa muito disso, da
diversão passageira com personagens da mitologia grega adaptados para um novo
universo. Os fãs do filme anterior certamente irão gostar pois esta obra está
bem mais movimentada e com efeitos ainda mais requintados. Assim a continuação
garante a atenção de um publico bastante específico e talvez fiel, no entanto,
não será, nem de longe, um projeto imortal como seus personagens são.
Perseu (Sam Worthington) retorna,
ele é um pescador que leva uma vida tranquila ao lado de seu filho, Hélio.
Celebrado pelas civilizações graças ao seu feito diante o monstro Kraken, ele
agora busca fugir de todas as batalhas, até quando seu pai, Zeus (Liam Neeson),
reaparece pedindo sua ajuda. Ele hesita, porém logo se vê imerso em mais um
conflito antológico. E como quem é rei nunca perde a majestade, Perseu não
demora para mostrar seus dotes heróicos enfrentando as mais cruéis criaturas e
iniciar uma expedição ao submundo de Hades (Ralph Fiennes). Auxiliado pelo
filho de Poseidon (Danny Huston), o desastrado Agenor (Toby Kebbell) e pela
rainha Andrômeda (Rosamund Pike), o herói seguirá numa batalha ainda mais
perigosa, tendo pela frente o imponente Cronos.
Personagens com grande
importância na mitologia são trabalhados pelo roteiro de Dan Mazeau com
deturpações tão monstrengas quanto boa parte de suas aberrações. Ainda assim,
seria possível utiliza-los de uma maneira minimamente verossímil e até respeitosa,
diante suas importâncias históricas. É o caso, nesse filme, do Minotauro e seu
labirinto, e dos ciclopes. Servindo para tapar buracos ou lembrá-los sem se
importar com suas funções, "Fúria de Titãs 2" funciona apenas em seu
aspecto enérgico e pela estilização de seus personagens, agraciados por uma
direção artística atraente. Os efeitos especiais que dão importância à trama e
a tridimensionalidade também merecem crédito.
Estremecido pelo roteiro pífio, o
projeto do diretor Jonathan Liebesman é um ode aos deuses fragmentados,
ignorando boa parte deles, o que visivelmente faz falta a trama, algo
especialmente sentido seus apreciadores. É plena desculpa para promover
nova franquia, pecando pelo desvairo e pela necessidade de impressionar com
suas dimensões estrondosas. A constituição de Cronos revela o caráter de perigo
a qual Perseu e os outros Deuses estão inseridos. É pra botar medo, mas parece
que estamos tão acostumados a coisas assim. Com um elenco bom e desperdiçado, o
filme enterra potenciais em busca de dinheiro. Destaca-se Edgard Ramires,
aparecendo bem como o inescrupuloso Ares, roubando boa parte das cenas.
Propenso a combates e coreografias supérfluas, o filme é um novo fracasso no
quesito investimento na mitologia grega, mas com boas doses de ação que quase
compensam o disparate.
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