De cara, “Sem Saída” enfrenta um preconceito de alguns públicos: Taylor Lautner está no elenco e é a estrela. No entanto, Alfred Molina, Maria Bello e Sigourney Weaver também estão e compensam. A velha escola se destaca, mas trata-se de um filme que atende a demanda juvenil, portanto o investimento recai sobre a nova safra hollywoodiana, exibindo não só Lautner como também a atriz e apresentadora teen Lily Collins, filha do cantor Phil Collins. Resta ao público mais exigente aceitar. O longa é eletrizante, abarrotado de ação cujos finalmentes terminam constantemente em indagações, tanto para os personagens quanto para o espectador. Dirigido pelo indicado ao Oscar John Singleton, esta obra promete faturar nas bilheterias não pelo que propõe, mas por quem exibe... e como exibe.

Roteirizado pela dupla Shawn Christensen e Jeffrey Nachmanoff, o filme não se prende a um potencial dramalhão sobre indagações de identidade, numa diretriz próxima a de “Identidade Bourne”, e tampouco por perdas familiares. O importante é dar motivo para pancadarias imediatamente após recentes descobertas sobre um passado impensável quando o protagonista se descobre num site de desaparecidos. Em busca da verdade, Nathan encara missões impossíveis e torna-se um amador duríssimo de matar, alguém incapaz de perder uma gota de sangue e isso não é um elogio. Um ode ao público masculino, mas também tem algo para cativar as garotas presentes, um intrigado romance e Lautner sem camisa. Sim, de novo, isso já se tornou marca por onde ele passa.
É impossível não perceber que este novo astro não é inexpressivo apenas na série “Crepúsculo”, mas se mostra completamente sem vigor ao assumir o protagonismo nesta empreitada ao viver um jovem durão, temperamental, que vive uma relação singular com os familiares e mantém um encantamento pela vizinha e colega de sala. O ator recorre a expressões sérias e olhar cerrado pretendendo, de alguma maneira, revelar um ímpeto agressivo recalcado, nos levando a crer, ainda que desconfiados, a consagração de um provável novo grande nome dos filmes de ação. Enquanto isso, no mesmo ritmo, Lily Collins agrada pela simpatia, mas pouco acrescenta a trama com sua Karen frágil e obstinada.

Sem surpresas, “Sem Saída” é diversão passageira e esquecível cujo roteiro raso não dá credibilidade a personagens encarnados por grandes nomes do cinema. Weaver oferece dignidade a psiquiatra, mas é esquecida durante boa parte da projeção; já Alfred Molina assume o papel de um agente da CIA gerador de desconfiança, mas isso nunca é trabalhado pelos roteiristas. No final, resta apreciar o sueco Michael Nyqvist de “Os Homens que Não Amavam as Mulheres” vivendo um antagonista implacável, duelando com o personagem de Molina. E também, aos sarcásticos, se divertir com o lobisomem da saga Crepúsculo, já estigmatizado pelo papel do filme dos vampiros, esforçando-se para parecer de alguma forma ameaçador com músculos, cara feia e sem nenhuma ferida.
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