Mostrando postagens com marcador luta. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador luta. Mostrar todas as postagens

sábado, 22 de outubro de 2011

Proseando sobre... Gigantes de Aço


 Tem Spielberg na produção e uma criança protagonista, vem emoção por aí. Isto é previsível, igualmente sua história. O público interessado em filmes que buscam alguma redenção ou algo sobre reconciliação terá nesse “Gigantes de Aço” uma bela pedida, uma vez que ainda contarão com um humor leve, efeitos especiais poderosos, um drama condensado e protagonistas queridos. Funciona em sua proposta, só. Os robôs até lembram mini transformers, mas felizmente o longa não atende a veia masturbatória de Michael Bay. É feito para a família e não coloca cenas de caráter libidinoso, porém não economiza nos ângulos exaltando as coxas de Evangeline Lilly.

Shawn Levy, diretor de comédias como “Uma Noite no Museu” e “Doze é Demais” entrega um de seus melhores trabalhos. Inegavelmente divertido, explana relações familiares e afeições com máquinas, humanizando-as. Assim surge Atom, encontrado num ferro velho – no que seria um cemitério –, um robô utilizado em treinamentos, servindo para resistir a ataques, mas nunca agredir os oponentes. O interesse do menino que o acolhe é comovente, fazendo o espectador recordar do ótimo “O Gigante de Ferro” de 1999 tanto na interação quanto na ligação amigável. Max (Dakota Goyo) o leva para casa sorridente, correspondendo sua paixão por aquele universo – seus olhos brilhando frente a famosos robôs, especialmente ao imponente Zeus, denuncia sua adoração. 

Quando os humanos saíram de cena, entraram as máquinas. O ex lutador Charlie Kenton (Hugh Jackman) sofreu com essa troca, mas não abandonou completamente o esporte. Investiu nos robôs, se arruinou e se endividou. Sua pilantragem bem delineada guarda negações daqueles que o conhecem e entendem seus interesses. Onde ele puder investir e faturar alguns trocados, ele fará sem pudor. O duelo de um robô com um touro numa arena foge completamente a regra estabelecida nos combates nos torneios, algo que pouco importa para Charlie propenso a feitos e lucros. As coisas mudam quando seu filho Max aparece logo após a mãe ter falecido. Legalmente, o pai é quem fica com a guarda da criança, para o desgosto do personagem de Jackman.

Desenrolando-se como um novo “Falcão - O Campeão dos Campeões” – Stallone corre o risco de perder seu lugar na sessão da tarde para esse –, “Gigantes de Aço” é diversão familiar garantida embora convencional e pra lá de presumida. Tem Hugh Jackman novamente num papel que muito pouco lhe exige, cativando o público por seu carisma e rememorando resquícios do mutante Wolverine. Em “Gigantes de Aço” não se engrandece, divide a responsabilidade com o jovem Dakota Goyo (o “Thor” jovem) que segura bem o teimoso Max. A motivação do garoto é curiosa e compreendida por sua idealização paterna, figura ausente em toda a vida, surgindo repentinamente buscando não a guarda do pequeno, mas a grana provinda de sua recusa a ele.

A relação da dupla é desenvolvida com bastante naturalidade pelo roteiro, explicitando o ressentimento de Max por seu pai, pouco interessado em sua presença. Por perder a mãe recentemente, se vê dividido entre a família da tia ou os braços de Charlie Kenton. Shawn Levy bem envolvido com bons efeitos estabelece um grau parental de descobrimento, demandando cumplicidade, o que salienta interesses: o pai vê no garoto a possibilidade de faturar uma grana, percebe o talento do menino no controle das máquinas, mas não abandona seu pessimismo quando ao que Max, estranho para ele, tem a oferecer. Deste modo busca facilitações em toda a narrativa. Já Max experiência a novidade, ser o alvo das atenções e conviver com alguém que, além de pai, converteu-se num ídolo, apesar do suplício recalcado.

Funcionando também como um exercício de motivação – o “você pode” proferido irá empolgar –, o filme impulsionará comoção no público, não somente pela proposta inocente, mas pela energia de sua narração. Movimentadíssimo, o trabalho usa o melhor do Motion Capture para dar veracidade aos robôs. A mixagem de som é outro atributo significativo. Nas cenas de combate, ouvimos as latarias amassarem junto aos movimentos das ferragens se revirando. Nessa disputa vigente ao melhor estilo “Rocky Balboa”, o resgate de um sonho se concretiza com Charlie Kenton voltando a fazer o que sempre gostou: lutar. A glorificação se dá nesse retorno aos ringues e na possibilidade de criar um lutador poderoso e um vencedor para a vida. 

Passado em 2020 quando as lutas entre os humanos perderam a graça por não atingirem um arquétipo destrutivo almejado, robôs entraram em cena em duelos cujo cume era a aniquilação total de um deles. Um deleite aos apreciadores de violência exacerbada. As apostas nesses robôs são polpudas e niveladas, o mundo inteiro está envolvido nestes combates. A insinuação é óbvia: a falta de limites com a brutalidade e a relação nossa nesse meio cada vez mais transgredido. É preciso impressionar, chocar, seja no cinema, na televisão ou nas músicas. Devido ao ceticismo do público acostumado a essas cenas, a obrigação por uma novidade leva ao exagero, ao extremo. E a sociedade do espetáculo se alimenta e espera por mais.  

O FILME ESTÁ EM CARTAZ EM POÇOS NO CENTERPLEX. CONFIRA A PROGRAMAÇÃO CLICANDO AQUI  

sábado, 11 de junho de 2011

Proseando sobre... Kung Fu Panda 2


Ele é carismático, simpático, engraçado e faminto. Ele é Po, o astro de “Kung Fu Panda”, um urso considerado o guerreiro dragão por uma profecia, este revelou-se detentor de uma arte marcial milenar, o Kung Fu. Conferimos um pouco de sua história no primeiro filme. Agora acompanharemos sua trajetória desde pequenino, o que o levou a ter um ganso como pai e cuidar de um restaurante. Saberemos também sobre seu passado familiar e o que o destino lhe reservou nessa nova super aventura banhada com comédia e emoção.

Nessa segunda parte, bem mais movimentada que a primeira, iremos adentrar no passado desse personagem através de lapsos que o paralisam e o leva a uma espécie de dimensão inconsciente o qual relembra suas origens – a composição dessa lembrança é um feito luxuoso da produção. Tal fato o impede de lutar. Esse mergulho neste passado evoca a presença de uma nova ameaça, um novo inimigo desejoso em banir o Kung Fu e dominar toda a China. Este é Lord Shen, um pavão branco que traz uma arma poderosa capaz de causar sérias destruições no reino. Po juntamente aos cinco furiosos tem que pará-lo, mas há uma dificuldade a mais que impede o panda de prosseguir na batalha relativo à proveniência deste pavão.

Dirigido por Jennifer Yuh e roteirizado pelos mesmos responsáveis do primeiro filme, Jonathan Aibel e Glenn Berger, essa continuação ganha pontos por sua agilidade. Se antes “Kung Fu Panda” prezava a história e as referências da cultura Chinesa, esse segundo momento é pura ação com laços de fraternidade nas saudosas e emotivas descobertas de seu protagonista. Os personagens da primeira empreitada também retornam: o Louva-a-Deus, o Macaco, a Garça, a Tigresa e a Víbora. Nenhum tem tanto destaque, mas funcionam com piadas leves e gags que prometem divertir o público infantil – que ótima é a cena em que fantasiados devoram os lobos; ou as frustradas tentativas de Po soar imponente. O mestre Shifu, embora pouco apareça, tem participação fundamental na trama com um ensinamento não só para as batalhas, mas para se levar para a vida.

Preservando a cultura chinesa, e isso é saliente principalmente na composição daquele universo bem desenhado pela produção, “Kung Fu Panda 2” ganha força pela originalidade e transparência da trama. O roteiro não é inventivo, é contido, faz pouco, mas o bastante para divertir seu público não somente com seu hilário protagonista, mas também pelas referências e simbologias. Nesse sentido, o pavão Lord Shen é um feito interessantíssimo em sua caracterização. Emblemático em seu papel de vilão, carrega o branco como destaque neste filme de cores quentes costumeiras do país retratado. A ave representa de alguma forma um luto sentido tardamente, sendo o branco o símbolo de luto na China. Taí uma boa continuação.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Proseando sobre... O Vencedor


Há uma consideração a ser feita antes de comentar o filme: Christian Bale está impressionantemente alucinante. “O Vencedor” é sim mais um filme de luta, mas não como esses encontrados aos montes nas locadoras cujo vazio toma conta do filme juntamente as porradas coreografadas. Aqui há quem se lembre de “Rocky” em seu melhor sentido. Exalta-se vibração e emoção. Mas essa é uma outra instância do filme. Primeiro se fala de luta, narra a história do irlandês Dicky Eklund (Bale) de Lowell no Massachusetts lá no início dos anos 90 contando sobre seus altos e baixos na carreira de boxeador e seu profundo investimento no irmão mais novo, Mickey Ward (Mark Wahlberg), orgulhando-se de que tudo que seu irmão sabe nos rings foi ele quem ensinou. A aparência do longa é documental, conhecemos um pouco sobre a dupla através da narração empolgada do personagem de Bale discorrendo sobre a luta contra um oponente poderoso, a drogadicção.

Motivação, lutas, treinamentos, músicas embalando, tudo parece remeter a filmes consagrados. O final é previsível, já o desenvolvimento impressiona e surpreende. O roteiro é escrito pelo quarteto Scott Silver, Paul Tamasy, Eric Johnson e Keith Dorrington e passa por vários gêneros ora promovendo recreação e animação outra residindo num dramalhão amargo, sofrido, exigindo de seu elenco uma transferência de sentimentos. Note Bale bem mais magro, aproximando-se de seu polêmico personagem em “O Operário”; Mark Wahlberg está contido e preciso enquanto protagonista, embora às vezes perca o foco. Já as mulheres, Melissa Leo deslumbra no papel de mãe devoradora dos irmãos Eklund, já Amy Adams, adorável como sempre, vive um tipo distante de suas tradicionais delicadas personagens.

O boxe é o bastante para segurar um filme e ainda ser indicado ao oscar? Há muito o que contar que ainda não tenhamos visto? O estilo aqui proposto difere pela abordagem e nas mãos do cineasta normalmente envolvido em comédias David O. Russell, “O Vencedor” dá importância a outros personagens, explorando essa relação familiar ruinosa cheia de irmãs sanguessugas. Nesse relacionamento, Dicky aparece diferente, e Bale é habilidoso ao demonstrar atitudes distintas em vários momentos do longa como se na maior parte deste ficasse distante e alterado. Aí se concentra talvez o maior mérito do filme, a drogadicção, sobretudo por crack, supostamente o responsável pelo fracasso de Dicky no esporte. Seu envolvimento com a droga reflete a geração atual e mostra que tal substância também está presente nos esportes, ela atinge todos e devastan igualmente.

Ilustrado sem exageros, o filme não possui tempo suficiente para desenvolver melhor a personalidade de seus personagens. Já o objetivo foi consumado. Como Mickey Ward lidou com essa situação e tornou-se um vencedor no boxe é um feito irrepreensível do roteiro. Escolhas e sacrifícios fizeram a diferença para o lutador engrandecendo-o por sua superação e redenção. O. Russell extrai o melhor de seu elenco, mescla cenas de propósito fílmico com a de um documentário fictício realizado pela HBO e acerta na condução do desenrolar narrativo jamais cadenciado, mas empolgante, nos obrigando a torcer por seus personagens. A indicação do diretor ao Oscar 2011 é uma surpresa, considerando seus trabalhos anteriores, porém, este ano foi reconhecido por fazer de uma potencial obra densa, uma história coesa, fácil e emblemática, capaz de agradar todos os públicos, discutir um tema seríssimo e divertir com as competições que seus personagens estão envolvidos tanto no esporte quanto na vida.    

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Proseando sobre... Karatê Kid (2010)



Jackie Chan e Jaden Smith revivem clássico
O cinema tem essa de surpreender. São tantas as refilmagens que fica difícil não torcer o nariz para as novidades, ainda mais tratando-se de verdadeiros clássicos reconhecidos. É o caso de “Karatê Kid”, que lá nos anos 80 trazia Pat Morita como o inesquecível Sr. Miyagi e Ralph Macchio interpretando Daniel Larusso, ou, como é popularmente conhecido, Daniel-san. Nessa versão de 2010, composta pelo brigão Jackie Chan como o Sr. Han, numa versão mais, digamos assim, existencial do mestre Miyagi; e Jaden Smith, o filho de Will Smith, vivendo Dre Parker, o pupilo que irá aprender Kung Fu. De malas prontas para a China, Dre e sua mãe Sherry Parker (Taraji P. Henson) se despedem de sua família e amigos para viver no leste asiático devido a uma transferência no trabalho.

A cultura diferente, a língua e a culinária surgem como obstáculos imediatos para a adaptação e a coisa toda piora quando Dre se desentende com alguns garotos de sua escola - lutadores de Kung Fu - perseguindo-o diariamente. Descontente e frustrado, o garoto diz sobre sua insatisfação para a mãe revelando seu natural desejo de retornar a América. A direção a cargo de Harald Zwart (“Que mulher é essa?”), sobretudo sobre seus atores, garante bastante empatia, como deveria ser, embora não chegue perto do que foi o filme de 1984, mas ao menos irá recrutar novos fãs marcando com certo ímpeto uma nova geração.

Dispensando grandes atrativos técnicos, o filme irá se concentrar na beleza do país, suas montanhas, vestimentas, artifícios, cores e na arte marcial como destaque. Um plano traz a cena de um treinamento sobre a muralha chinesa. A batalha entre o bom e o impiedoso Kung Fu é um detalhe que irá mover a história com Dre e seu carisma carente aprendendo com seu mestre valores perdidos de onde viera e levando também algumas tradições americanas bem como as roupas e a música. Os momentos em que as crianças estão encantadas com suas tranças e com os cabelos de sua mãe são graciosos.

A China como plano de fundo
Mais do que isso, o relacionamento constituído entre ele e a jovem violinista Meiying (Wenwen Han) é um marco satisfatório do roteiro que dá maior sensibilidade a esse filme notoriamente sensitivo, contando com a colaboração de trilhas empolgantes e da fotografia fascinante de Roger Pratt. Como não querer ir até a China depois de conferir cenários tão bucólicos? De passagem por um país importante no cenário mundial, representação clara da globalização, o longa recicla diálogos e incita uma homenagem a obra original de John G. Avildsen. Vinculando lição de solidariedade e compaixão num contexto novo em mistura a essência de artes marciais, algo pouco comum no ocidente, valores que transcendem séculos saltam aos nossos olhos. Não é a obra mais aguardada aos apreciadores da franquia “Karatê Kid”, no entanto, está longe de ser uma grande decepção para qualquer cinéfilo.