Filme de comédia que bebe da
mesma fonte de “Se beber, não case”, esse “Quatro amigas e um casamento” é um
exemplar cretino de um gênero que vem se estabelecendo no cinema como uma
extensão do popular besteirol americano. Absurdamente sem graça, esta comédia
dirigida por Leslye Headland nada oferece com personagens enfadonhos, mais do
que irritantes. O carisma da produção se afogou num copo de champagne barato. Se a
moda é ser ridículo, então este é uma obra excepcional, pois transmite com seu
roteiro infame todas as características desprezíveis de mulheres ordinárias.
Mas o cinema é grande demais, importante demais para se curvar diante a
pretensão de uma comédia que quer fazer rir através de situações ridículas
vivenciadas por pessoas desagradáveis. Tanto desprestígio não é proferido por
alguém arredio ao estilo, até porque não faz muito tempo que “Missão madrinha
de casamento” me divertiu, trazendo a mesma fórmula de uma maneira áspera e
devassa, no entanto com alguma dignidade sobre o que faz com seu escracho.
3 belas garotas são convidadas para serem
madrinhas do casamento daquela que outrora era alvo de gozações na época do
colégio por conta da obesidade. O trio sente-se fracassado por se perceberem
sozinhas enquanto a ex vítima de piadas está prestes a subir no altar com um
cara legal. Taí o argumento que inspira a narrativa e motiva piadas grosseiras,
o que não é um problema, pelo contrário. Essas piadas, por sua vez, são
colocadas aos extremos da luxúria de garotas que preservaram a beleza desejando
rodar as noites se divertindo com sexo e drogas. Aparentemente independentes,
não demorará em se diluírem em lamentos graças aos passados românticos
frustrados que a impossibilitaram de serem felizes. Mulheres, tão dependentes dos
homens. É o que o roteiro escancara quase sem querer. E era para ser o
contrário, mas...
A ruiva Isla Fischer, a morena Lizzy
Caplan e a loira Kirsten Dunst formam a trinca de madrinhas que desconstroem a expectativa
do casamento do título, com suas permanências se dando graças a um ciúme repulsivo
inconsciente. Quantos as atuações: Dunst que vinha queimando a língua de muitos
críticos graças a notáveis interpretações recentes como em “Maria Antonieta” e
“Melancolia”, dessa vez rolou por degraus despencando sua moral enquanto uma
talentosa atriz. Devo admitir que nunca acreditei em seu potencial desde o
início quando despontou em “ Entrevista com o Vampiro”. Já Isla Fischer se
molda como um típico objeto sexual masculino – e não estranhe em ver homens
falarem sobre ela como se fosse um petisco. Já Lizzy Caplan é a dona das piadas
obscenas, discorre a respeito de sexo oral com autoridade e tende ao
desequilíbrio emocional, encontrando saída numa carreira de cocaína.
Depois de acompanharmos uma
verdadeira jornada numa noite pré casamento abarrotada de infortúnios, o longa acaba se rendendo a
melancolia, com suas personagens esgotadas em introspecção imediatamente após
sobreviverem a uma série de desarranjos na madrugada que transitaram sobre o
sexo furtivo, o desconsolo no passado, uma boate de strip-tease, sêmen e a
tentativa de suicídio encarado com naturalidade. Tudo isso acontece por conta
de um vestido rasgado. Ao final, o trio aprendeu muito, principalmente como ser
submissa ao sexo masculino. Bom, talvez a idéia era mostrar o que não ser ou fazer.
Até o canalhão da história, vivido por James Marsden, saiu com algum crédito. O
filme é que não.
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