sábado, 30 de julho de 2011

Proseando sobre... Capitão América: O Primeiro Vingador



Estranha constatar o físico do Capitão América no primeiro ato. Não só minúsculo e frágil, o rapaz também é alvo de sérias doenças, o que lhe impede de ingressar no exército e combater na segunda guerra. Mas nem só de força um homem é feito, e tal idéia parece ser defendida pelo Dr. Abraham Erskine (Stanley Tucci) que vê no jovem asmático Steve Rogers (Chris Evans) um ideal de homem cuja coragem, honra e bondade sobressai a força física descerebrada e violenta. Ele torna-se o alvo de um experimento para a criação de um super-soldado. Essa experiência não deixa de soar emotiva quando se afirma sobre um homem que nunca conheceu a força daria muito mais valor a ela quando a conquistasse; e o potencial virtuoso de um ser seria reafirmado com muito mais ênfase. Cria-se então, o primeiro vingador, o Capitão América.

Um grande salto no tempo, retornaremos a quase 70 anos no período da segunda guerra mundial. Hitler está no poder e ameaça o mundo. O exército americano, por sua vez, tem de pará-lo, no entanto, reconhecem um oponente ainda mais ameaçador, Johann Schmidt (vivido pelo hábil Hugo Weaving) que se converterá no Caveira Vermelha. Seu traje impecável essencialmente nazista esconde uma figura maligna cujos planos absurdos e insanos se volta contra seu próprio dogma, tornando-o uma figura centrada unicamente na destruição segundo seus próprios interesses. Colocar nazistas como vilões já é tradição, utilizar de sua tecnologia obscura, formada pelo Hydra, estipula um novo viés a trama e consequentemente, a uma nova entidade opositora. Assistir um grupo de soldados saldarem “Heil Hydra” de uma maneira próxima a de “Heil Hitler”, parece, no mínimo, bizarro.

A direção é de Joe Johnston, responsável por projetos como “Jumanji” e “Jurassic Park 3”. Demonstrando talento no ornamento e direcionamento dos personagens, Johnston supre o filme de bons momentos de alívio cômico, sobretudo com o Gen. Chester Phillips (Tommy Lee Jones, mal humorado e engraçadíssimo). São várias as cenas em que o humor sobrepõe a história, deixando no ar a hipótese do desvio de atenção, uma vez que, se este filme serve como introdução ao que virá em 2012 com os vingadores, não deixamos de constatar sua necessidade promocional do personagem que passou anos esquecido. É preciso rolar alguma identificação com o público com ele. O filme consegue isso e principalmente Chris Evans permite a conclusão deste objetivo.  

Famoso por viver o Tocha-Humana na fraca franquia “Quarteto Fantástico”, Evans era apenas o tipo galã irresponsável. Ao viver um dos maiores heróis da Marvel, ganhou a oportunidade de tornar-se maior e talvez imortal para os fãs do quadrinho e revitalizou a caricatura barata que empunhava ao viver com índole esse personagem cuja dignidade é exaltada tornando-o, entre os vingadores, o mais nobre. Não só o trejeito inicial apresentado garante essa certificação, mas a ternura vigente após sua transformação também satisfaz. Até seu uniforme, anteriormente visto com certa ironia, ganha interesse quando entendemos sua função inicial de fomentar uma marca, para depois se consolidar trazendo uma representação nacionalista e ufanista. O carisma delineado por Evans ganha força também por seu estilo atrapalhado frente a uma garota, o que torna a relação com a oficial Peggy Carter (Hayley Atwell) num desejo tortuoso, mas otimista.

Com um roteiro que prioriza a inserção do Capitão América na mente dos espectadores que aguardam o filme dos “Vingadores”, este trabalho peca na ação. Se as constantes cenas de luta entre Steve Rogers e seus oponentes funcionam apenas para destacar o poder e imponência do herói destruindo os inimigos, o esperado duelo com o Caveira Vermelha, que provavelmente seria intenso, nos parece minúsculo diante a expectativa estabelecida na narrativa. Desta forma, pensamos na hipótese de uma preparação para o que virá no futuro quando reunirem os heróis da Marvel. Já os efeitos especiais estão devidamente colocados sem exageros, favorecendo a exigência de seu gênero. Aqui também veremos Howard Stark (Dominic Cooper), pai de Tony Stark e o quanto este foi importante para o armamento americano. É filme para estadunidense se orgulhar e para fãs de herói se divertir e esperar pela união futura já no próximo ano.

4 comentários:

  1. Parece que a moda de fazer filme baseado em super heróis pegou pra valer.

    Há pouco soube que o desenho animado "Capitão Planeta" também vai virar filme. Sucesso, até mais.

    Leia o meu blog: http://www.nacoladanoticia.com.br

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  2. Não gostei do filme, acho que como o Capitão América não é um personagem de incríveis poderes como o Super-Homem e outros ai tiverem que apelar para as mentiras... Em fim, torço para que o filme: Os Vingadores seja melhor...

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