Foi-se versões de comédias masculinas com homens chutando o balde. Agora as mulheres se responsabilizam – ou se desresponsabilizam – pelas atitudes assinaladamente escatológicas nas situações as quais se envolvem. Esse é “Missão Madrinha de Casamento”, opondo a amizade íntima e o ciúme sobre um dos maiores desejos da mulher: o casamento. A ambientação do roteiro brincando justamente com o pré matrimônio explana óticas feministas, salientando o desejo pela troca de alianças e o seu pós. A magia se mantém e corresponde a expectativa dessas mulheres a beira de um ataque de nervos, mas sem a genialidade transposta por Almodóvar, se assim me for permitido usar seu filme como exemplo.
Lillian (Maya Rudolph) vai casar e convida sua amiga de infância, Annie (Kristen Wiig, ótima no papel) para ser a madrinha de honra. Extasiada, Annie quer fazer uma cerimônia inesquecível, mas se depara com uma outra madrinha, Helen (Rose Byrne de “X-Men – Primeira Classe”), linda e elegante, rica e talentosa no arranjo de grandes festas. O duelo entre as duas irá levar todo o filme, opondo distintas perspectivas e busca pela atenção. A primeira vem de derrotas, falência numa loja de Cupcakes e desprezo por homens; já Helen mora num imenso casarão, veste grifes e exalta superioridade, mas ressente pela soledade, o que garante um dramalhão responsável por não estigmatiza-la como vilã.
A proposta de colocar mulheres em situações costumeiramente vista com homens no cinema é o diferencial dessa cômica empreitada. Diverte-se ao seu modo pensar que a mulher não tem a camaradagem masculina, respira outras dinâmicas de relacionamento, se intricam e se alfinetam. É justamente nesse ponto que a comédia do diretor Paul Feig se intensifica criando recreação, trazendo distintos laços da união entre as madrinhas de casamento, propondo disputas pessoais pela atenção da noiva – e mais interessante do que simplesmente jogar desavenças é evidenciar que apesar das resoluções, as rixas nunca se perdem. “É a última...”, indaga umas das personagens. Feig assina o projeto, mas é a produção quem parece comandar com Judd Apatow (de tantas outras boas comédias como “Ligeiramente Grávidos”) ditando as regras.
Passado inteiramente na disputa pessoal de Annie buscando cada vez mais esclerosadamente a atenção da noiva, o filme acaba ignorando as outras personagens, meros coadjuvantes acrescentando frustrações pessoais através de breves diálogos indiciando, brevemente, quem são e quais as intenções dessas mulheres pelo casamento. Annie, com a lanterna traseira do carro queimada, explicita sua condição de mulher após os 30 anos completamente frustrada, entregando-se a relacionamentos pelo puro prazer sexual, duvidando da integridade dos outros a sua volta. Trocar essa lanterna, algo tão simples, torna-se um catalisador de personalidade, colaborando para concluirmos sobre a resistência da personagem em mudar. Negação e puro orgulho. Quando essa luz surge, outras iluminações vêm junto a ela. Cômico e grosseiro, característica autoral do produtor, o filme certamente divertirá vários públicos.




