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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Diário Cinéfilo: Má Educação (Mala Educación, La, 2004)

Dia: 10 de Janeiro

11- (Revisão) Má Educação (Mala Educación, La, 2004)




Ver e rever os filmes do Almodóvar é sempre satisfatório. Sua carreira é ilustre, cheia de grandes obras e narrativas instigantes, cômicas e sensuais – caso de “Carnê Trêmula”, “Ata-me”e “Volver”. O cineasta sempre se concentrou em personagens femininas. Este é uma de suas poucas exceções. Em “Má educação”, o diretor toca na homossexualidade como anteriormente fez – “A lei do desejo”, para dar um exemplo – e acrescenta sem economias a religião, polemizando com o atributo que vem derrubando a igreja católica nos últimos anos: o sexo com menores dentro da igreja. Tudo é muito fluente e elaboradamente rico, desde a parte técnica até o arco dramático inteligente que une histórias dentro das histórias de maneira orgânica. É para se misturar, pois fazem parte de um mesmo contexto. Também não deixa de ser uma auto biografia, contando um pouco sobre um personagem que sofreu abusos quando criança. Outra característica é sua fundamentação enquanto um Noir, com todas as populares características de trabalhos da década de 40 e 50. Ainda tem Gael Garcia Bernal se divertindo num papel dúbio.    


Direção: Pedro Almodóvar
Elenco: Gael García Bernal, Fele Martínez, Daniel Giménez Cacho, Lluís Homar, Javier Cámara e Leonor Watling

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Proseando sobre... Pronta para Amar


 Há uma fuga de clichês, pelo menos uma tentativa. Há a mocinha arredia a relacionamentos sérios e adepta do sexo casual. A negação quanto a amores é pesada nessa loura, a publicitária Marley Corbett (Kate Hudson), ótima profissional, mas que leva uma vida cheia de excessos. O sorriso contagiante converte-se em desgosto, acompanhando a mudança de gênero, da comédia romântica ao melodrama. É convencional, mas ainda emociona. Em obras menores e pífias, temas semelhantes se glorificaram. Essa não teve tanta sorte, mas deverá ganhar fãs pouco a pouco pelo boca a boca. O projeto é dirigido por Nicole Kassell do ótimo “O Lenhador” trazendo uma doença como cerne da trama.

Tudo ia muito bem na vida de Marley até quando fora diagnosticada com câncer. A premissa básica faz lembrar de outros filmes. Este se diferencia por tratar a doença não como uma fonte de redenção do amor ou reconciliamento, não é um “Um amor pra Recordar” da vida, felizmente! O roteiro viabiliza outras elaborações, entre elas a do papel de sua protagonista, longe dos padrões moralmente impostos em filmes do gênero, tratando-a como um modelo do ser errado, mas ela aprende uma lição, como seu título em português – horrível, diga-se de passagem – entrega. Mas há uma ajudinha nonsense para aprender alguns valores. Deus fala com ela, surge para ela e aparece na forma de Whoopi Goldberg. A atriz é alguém que Marley admirava. Piada pronta, aceitável. Até Alanis Morissette já foi Deus na telona.

O filme explana relacionamentos e não antecede suas resoluções como a maioria das comédias românticas fazem, ele vislumbra outros artifícios buscando se distanciar do local comum residente, criando uma intriga familiar, explorando a defesa de sua protagonista longe de ser um tipo de garota ideal. Também veicula os amigos próximos digerindo a notícia sobre a doença e tomando rumos distintos ao encararem a situação. O longa ainda ganha uma discussão mais acentuada, a empatia que alguns profissionais tem por seus pacientes. Naturalmente o filme não busca estender essa questão, o que é uma pena, é sua grande força nas entrelinhas, quando explora o interesse do médico Julian Goldstein (Gael García Bernal) mais do que empenhado em salvar sua paciente.

O melodrama paira no segundo ato, mas as piadas continuam, e se envolvem com metafísica, exames, amigos gays, cães e anões. A atriz Lucy Punch, destaque recente em comédias, novamente coadjuva adequadamente. A variação condensa um ritmo agradável, afinal é um filme fácil, mas difícil de se levar tão a sério. Deverá derramar lágrimas dos mais emotivos, no entanto nenhum dos atores serão lembrados por este trabalho. Até Kathy Bates está no meio e sabotada vivendo a mãe de Marley, sustentando duelos verbais com a filha. Também há a consideração sobre alguns não conseguirem transmitir emoções, inocentando-os num determinado ato. Eis uma diversão feminista a qual a protagonista é um dos piores exemplos desse universo da mulher, ao menos segundo as idéias de Hollywood.