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quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Proseando sobre... Os Mercenários 3

Com Os Mercenários, Stallone propôs reunir vários astros dos filmes de ação, a maioria oriunda da década de 80 e 90, e criar uma franquia que os eternizasse, trazendo ainda alguns nomes da nova geração. No segundo, a brincadeira residia na decorrência do tempo que resultou dificuldades físicas aos heróis, ainda que não impedisse atos heróicos de caras que não aceitaram o natural envelhecimento. Aqui nesse terceiro parece encontrar um equilíbrio entre gerações, considerando-as igualmente importantes, o que fundamenta a perspectiva do futuro dos velhos e novos mercenários. Têm-se o filme menos badalado da trilogia, o menos empolgante, no entanto ainda atrativo simplesmente pelas grandes personalidades em cena que dificilmente se encontrarão dentro das telonas novamente. 

Vemos muita energia acumulada, a virilidade enternece a trama modelando a ação com a viral comédia. O filme revela-se afetado por tanto humor. Formulaico, tem uma cena inicial colossal como um cartão de visitas do que virá em sequência. E essa ação convulsiva consegue despertar um comportamento comum entre os espectadores: bocejos. Este cinema definitivamente perdeu a graça. A trama que poderia inflar o nosso interesse desgastado não convence, se arrasta dentro do clichê mais odiável: o maniqueísmo tradicional proposto unicamente como válvula de escape de um roteiro ineficaz. 

Há uma cena de reunião, de diversão, celebração de um fim. Ela faz todo o sentido, pois abriga os semelhantes deste contexto maluco elaborado e que funcionou brilhantemente pela sensação de nostalgia proporcionada. Essa cena, realizada num bar, acaba sendo a melhor de todo o filme, já que ampara o valor da fita: a memória do pretérito de pessoas que tiveram absoluta relevância para a constituição de um gênero. 

Barney Ross (Sylvester Stallone) tem um novo e poderoso adversário, Conrad Stonebanks (Mel Gibson). Para poupar possíveis danos a sua velha equipe devido a uma falha ressentida durante uma missão infeliz, decide convocar uma legião de jovens para enfrentar o oponente. Inevitavelmente isso causa chateação nos velhos parceiros. Um transtorno visível nos olhares tristonhos daqueles homens cujo talento em expressar emoções se equipara a de manequins. Aí vira um filme de médias e discussões a respeito de valores, coragem e parceiragem. Por conveniência, Os Mercenários 3, filme dirigido pelo desconhecido Patrick Hughes, traz toda a truculência e as piruetas enérgicas esperadas de um filme desse gênero, especialmente envolvendo tantos astros. Termina divertido. Termina sem querer terminar.


quinta-feira, 31 de julho de 2014

Proseando sobre... Planeta dos Macacos: O Confronto

Em 2011 o diretor Rupert Wyatt ressuscitou a  franquia Planeta dos Macacos. Este veio com o subítulo: A Origem. Através dele conhecemos um grande personagem, um dos mais importantes da ficção científica que lhe garantiu status de ícone do gênero: inteligente, centrado, justo e forte, um exemplo convincente de liderança. Foi um grande filme que trouxe à tona uma versão absolutamente atual sobre os experimentos com símios e os resultados que praticamente condenaram a vida humana na Terra. Já esse Planeta dos Macacos: O Confronto dá continuidade trazendo os humanos em extinção. Anos se passaram e as cidades vazias são vistas cobertas por poeira e vegetação. Os poucos humanos resistentes possuem tolerância ao vírus que dizimou os continentes. Seguimos novamente o chimpanzé Caesar, protagonista do primeiro, agora líder de uma grande tribo que pouco a pouco desenvolve-se em sociedade num terreno com regras e política.

Chama atenção o quanto a trama dessa franquia é bem construída. O roteiro se atém plenamente nas motivações dos vários personagens, busca nos apresentar a evolução do grupo de macacos super inteligentes com o dialeto, a caça, a pesca, a elaboração de ferramentas, o desenvolvimento político. Todas essas são conquistas que a tribo alcançou em um pouco mais de 10 anos após os eventos na ponte de São Francisco. Os mesmos personagens estão ali, propensos ao crescimento de sua população sem intervenções ou ameaças, até que alguns humanos aparecem atrás de energia numa barragem abandonada, local próximo onde os macacos estão instalados. Negociações se somam nessa narrativa bem conduzida, retratando as relações entre homens e macacos, suas proximidades e seus interesses que novamente irá opô-los.   

A ira de alguns desses macacos referente ao passado tenebroso que tiveram divide grupos. As motivações são distintas, em nome da guerra alguns se exaltam. Em benefício da paz, outros clamam e se propõem a tudo. Dentro do mesmo grupo, a discordância se eleva enquanto os humanos, fortemente armados, mas em quantidade populacional inferior, assistem e sofrem. É um retrato histórico da própria humanidade após a evolução. Tudo em O Confronto são referências óbvias ao que as pessoas fizeram ao longo de sua caminhada até os dias atuais, sacrificando-se em nome de poder. Com o roteiro bem amarrado ao filme anterior e que ainda deixa brechas para a conclusão da trilogia, esse prequel da franquia maximiza ainda mais a simbologia da arte de O Planeta dos Macacos, com tantos efeitos fabulosos e com um elenco brilhante, comandado pelo genial Andy Serkis. O longa ainda conta com o célebre antagonismo de Gary Oldman.


Valorizado pelo interesse em demonstrar uma nova civilização se formando, este novo trabalho dirigido por Matt Reeves, o cara responsável pela boa refilmagem Deixe-me Entrar, investe na ruptura da possível coexistência entre humanos e macacos. Se pensávamos crentes nessa possibilidade, então o texto nos surpreende com a gana odiosa de um dos líderes, favorecendo batalhas proeminentes que acentuam o mecanismo de conservadorismo ideológico, sobrepondo admirações em nome da aniquilação total de uma raça, agora, considerada inferior. A violência toma conta delineando diretamente a ótica de seu primeiro filme, O Planeta dos Macacos de 1968. Tudo, ao que parece, se repetirá nessa nova proposta evolutiva. Diante tantas discussões efervescentes sobre as escolhas dos homens e onde elas os levaram, a obra acaba por ser um retrato congruente da desumanização da espécie. Nesse âmbito, em meio a suntuosos efeitos e abarcado por uma história engenhosa, o filme se equivale e trabalha sua reflexão com notável propriedade. 


quinta-feira, 10 de julho de 2014

Proseando sobre... Transformers: A Era da Extinção

Não há muito o que acrescentar sobre o novo filme da franquia Transformers que já não tenha sido discutido anteriormente em foruns, críticas ou rodas de conversa durante o lançamento dos três primeiros. É o maniqueísmo barato que poderia ter sido resolvido pelo lado mal em um dos atos iniciais. Não há nada de novo, a não ser os protagonistas humanos. E ter esses novos protagonistas não significa que a história tomará um novo rumo. Pelo contrário, segue numa mesma direção com o talento único de Michael Bay em conceber asneiras cinematográficas atulhadas de pomposos efeitos que representam nada mais que uma limitação criativa, algo que seja engolido com maior facilidade por um público sedento de ação. É injusto chamar o filme de descerebrado ou qualquer coisa do tipo, pois tem dois ou três bons momentos. Além disso, os efeitos visuais e sonoros são esplêndidos, porém insuficientes, perdendo força logo em seus primeiros 90 minutos com sua dinâmica masturbatória. No fim, são apenas grandes robôs – há quem se ofenda com esse termo – brigando.

Este quarto filme baseado nos famosos brinquedos da Hasbro reafirma a maior intenção da franquia: divertir. Faz isso bem. Seria melhor se fosse num tempo menor, pois quase 3h de ação ininterrupta esgota o público, apesar das várias gags e momentos cômicos. Surpreende notar a forma como o roteiro se livra de um alívio cômico que mais soou como um interjetivo aborrecido. A verdade é que falta em Transformers uma boa história que amarre sua ambição, mas com Michael Bay isso parece ser inviável. Não há desculpas, há blockbusters interessantíssimos que não abrem mão de uma boa história. A leviandade das conclusões desse Transformers: A Era da Extinção (Transformers: Age of Extinction, 2014) corrobora a perspectiva de que o entretenimento do cinema Hollywoodiano está em declínio.

Sem Megan Fox e Shia LaBeouf (ator cuja credibilidade foi minada), restou a Bay garantir a presença de um veterano para incendiar um novo plot. Mark Wahlberg foi escalado para protagonizar a fita. Ele está inserido num núcleo familiar que garante um drama de cerca de 5 minutos, algo que nem pastelões adolescentes têm coragem de colocar no roteiro. O que dizer da máxima “sua mãe ficaria orgulhosa”? Ele é um pai protetor que, em nome da honra de sua mulher falecida, quer que a filha só assuma um compromisso após se formar. Há piadas referentes a leis em alguns estados do país sobre relacionamentos com menores, especialmente vinculadas ao Texas. Seu personagem engessado também é um inventor sem sucesso. O roteiro constrange com essa decisão de fazer dele um inventor. O pôster de Einstein colado na parede só acresce o embaraçamento. Sua fé em criar algo que pague as contas da família o mantém na ativa até o dia que compra a sucata de um Transformer e sua vida muda.

Descompromissadamente a obra garante recreação. Só não era esperado uma cena cuja metalinguagem surgisse como ironia à própria produção: a cena em que a sucata de um caminhão é encontrada acontece num cinema antigo. Lá, um personagem saudosista reflete sobre a baixa qualidade dos filmes atuais. Também há uma brincadeira de lógica quando um outro personagem, imediatamente após atravessar de um continente a outro, brinca com a falta de sensibilidade em relação ao fuso horário. É uma autêntica gozação. Se dispensarmos o senso crítico e encararmos Transformers: A Era da Extinção como um desenho animado ou vídeo game onde tudo é possível, dá pra aproveitar. Se isso é possível, é outra história.

Há algumas sequências que nos obrigam a notar mais do que deveríamos uma série de erros de continuidade e de lógica. Por exemplo, o colarinho impecavelmente branco de Joshua (Stanley Tucci, o John Turturro dessa versão) dá a impressão que o empresário teve tempo de trocar de camisa o filme inteiro, mas não teve qualquer condição de lavar o rosto coberto por sujeira. O mesmo se aplica aos outros personagens, em especial Tessa Yeager (Nicola Peltz) que se mantém imaculada como um próprio Transformer com silhueta libidinosa, sem feridas e maquiada, mesmo após sobreviver à queda de escombros colossais, explosões e tombos em rodovias. Está certo, isso não importa para o filme. Bom para os interessados apenas na graça feminina dessa jovem atriz cuja beleza é priorizada em quadros: a fotografia de uma cena capta caprichosamente suas coxas enquanto busca outros personagens à frente. Um regozijo.

Continuações virão com o provável mais do mesmo, sendo que ainda não tornou-se insuportável. Há um público cativo se deleitando propenso a algolagnia. Essa quarta parte chegou a um nível de mediocridade superior garantido pela censura, pois, diante tudo o que rola em cena, os Transformers agora surram humanos. Não dá pra ignorar o fato de milhares que certamente morreram devido as ambições estritamente humanas traduzidas por intrigas de Autobots e Decepticons. É pancadaria do início ao fim, ação enérgica, efeitos primorosos, tomadas em câmera lenta para vermos de fato a criação megalomaníaca de Bay e um som potente, embora ensurdecedor. Não é algo que contemple a coragem de seu realizador, um diretor limitado aparentemente incapaz de dirigir atores e cenas. Aqui ele investe doses a mais de vigor como alternativa para deslumbrar. Hollywood insiste em dizer que o planeta precisa de salvação. O personagem de Tucci é um CEO que visa uma revolução para salvar o mundo. Seu nome, Joshua, não parece ter sido escolhido aleatoriamente. É o grande filme das férias capaz de levar milhares ao cinema com o mesmo potencial de ser ignorado na manhã seguinte.



quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Proseando sobre... Atividade Paranormal: Marcados Pelo Mal



Novos rumos e os mesmos equívocos. O cinema tem com Atividade Paranormal: Marcados Pelo Mal um retrocesso que já é costumeiro em franquias caça níqueis. Essa é uma sequência irrelevante diante o que já foi produzido, embora os roteiristas busquem alguma inovação que faça o público comprar a idéia. O foco de outrora era assustar. Segue sendo, mas sem sucesso. Não há muito o que mostrar em seus quase 90 minutos. Situações adversas, gente nova no pedaço, trama envolvendo os longas anteriores e câmeras, câmeras que parecem extensões do corpo humano. Essas jamais são desligadas, não importa a situação. O terror quase converte-se em humor. Nos habituamos e com isso condenamos a franquia.  

Os roteiristas decidiram trazer personagens latinos. Um jovem mora sobre o apartamento de uma mulher chamada de bruxa por vizinhos e moradores do bairro. Ele sempre a teve por perto, sem qualquer contato, debochando de sua aparência e atitude. Após seu aniversário de 18 anos, finalmente aproximou-se dela após eventos catastróficos e percebeu sua vida virar um inferno imediatamente após vivenciar o prazer de possuir super poderes. A ótica do longa explana horizontes e se perde no poente sol que enterra o terror. As bruxas estão a solta montando um exército, temos cada vez mais clareza das intenções por trás das escolhas dos roteiristas.

A inovação proposta parte da dúvida sobre os eventos, do ceticismo daqueles que ouvem falar ou assistem vídeos no youtube quando Jesse (Andrew Jacobs) posta um vídeo mostrando as habilidades que estranhamente desenvolveu. Isso instiga a dúvida, especialmente dos supersticiosos que acreditam nos eventos ocorridos, as tais atividades paranormais. Ao menos esses se divertirão um pouco mais com o filme. O diretor Christopher B. Landon aposta nisso, prepara o terreno de um nicho já conquistado ao longo dos anos para surpreender pela inventividade. Infelizmente a leva de longas similares impedem que a proposta funcione conforme desejado. 

Semelhante aos outros, exceto por duas ou três decisões diferenciadas – como a tentativa de promover humor – a franquia segue inalterada e fadada ao fracasso. Vale pelos fãs revisitarem a mesma sensação em terreno distinto. Quem não gostou continuará não gostando. E o cinema se petrifica com mais um caça recompensa em nome de um filme que hoje não conta com números a cada sequência, mas com subtítulos. Perspectiva publicitária, uma fraude.



quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Proseando sobre... O Hobbit: A Desolação de Smaug



Mais ágil e vibrante que o anterior, O Hobbit: A Desolação de Smaug é capaz de unir algumas pontas e dar continuidade ao arco dramático dos eventos passados sem prejudicar a história e o ritmo, anexando ainda alguns bons personagens. É inevitável não querer fazer referência a obra prima O Senhor dos Anéis. A presença de alguns personagens – que não constam na obra original – e menções passageiras a outros serve como nostalgia e oportunidade de fazer o espectador gostar mais desta nova saga. No entanto a duração longa, muito embora seja dinâmica e divertida, arrasta-se com planos desnecessários. Há subtramas perfeitamente dispensáveis que nos fazem questionar o rumo da franquia e o interesse maior de Peter Jackson. Aos saudosistas, o filme é uma lástima! Aos que não se importam muito com fidelidade em adaptações o filme é uma deliciosa aventura!

Bilbo segue juntamente aos anões rumo ao Reino Perdido dos Anões de Erebor. São várias as aventuras e embates mortais pelo caminho, semelhante ao longa anterior. Nesse há mais ação, bem mais! O espetáculo visual garante o interesse do espectador e às vezes rouba a atenção da narrativa. O convencionalismo e os clichês seguem incomodando, a tal ajuda que aparece subitamente nas horas inapropriadas tiram a beleza e o suspense iniciado pela sugestão de ameaça e os combates perdem o impacto. Inquestionavelmente infantil, a Desolação de Smaug ganha conotações mais severas com as alterações no roteiro diante a adaptação, imprimindo mais ferocidade – com cabeças rolando e corpos despedaçados sem sangue – a jornada heróica e verdadeiramente perigosa, especialmente quando estão em cena os Orcs e Wargs.

A história ganha traços de obra épica pelos feitos diários de seus personagens, e testemunhamos tudo com convicção em respeito ao que estamos vendo e, principalmente, compreendendo. As cenas de batalhas são bem realizadas e coreografadas. O diretor não perdeu esse cuidado. A técnica o favorece, desde o som ao desenho artístico, tudo responde a favor do longa que mergulha na ação e emerge na tensão, enquanto o humor condensa. Quanto ao drama, esse recai sobre alguns poucos personagens, tendo ligação ao passado e a cobiça que envolve a pedra Arken. O romance não fica de lado e aparece de forma constrangedora, relacionando o anão Kili e a elfa Tauriel. A tentativa de Jackson em plantar uma heroína na história é satisfatória, mas a forma com a qual escolheu lhe ofertar um romance foi absolutamente tola!   

Se o filme tivesse mais 30 minutos, correria o risco de tornar-se aborrecido. Sua exagerada duração é injustificável, a não ser pelo exibicionismo técnico e megalomaníaco de Peter Jackson. Ainda lamento Guillermo del Toro ter pulado fora da direção antes do início das filmagens. O Hobbit: A Desolação de Smaug é um belo filme, sem dúvidas, mas plenamente esquecível e longe de ser um dos mais significativos do ano. E isso é terrível, já que o ano não foi dos mais relevantes. A expectativa com relação ao próximo filme se mantém, ainda mais após o final em aberto que deixou o público atônito e curioso. Ele veio após o melhor momento da obra, a aparição do dragão Smaug. O ótimo ator inglês Benedict Cumberbatch empresta sua voz e movimentos para a concepção da fera. O resultado foi dos mais impressionantes. Que venha o próximo e que seja ainda melhor. E sem embolações, se possível.   


segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Proseando sobre... Thor - O Mundo Sombrio



Suplantando todos os equívocos do filme anterior, Thor - O Mundo Sombrio se mostra bem mais decidido em relação ao que deseja mostrar e ser, funcionando em praticamente todas as suas investidas, especialmente quando releva o bom humor típico das produções da Marvel – e vale ressaltar tal humor tanto nos quadrinhos quanto nas adaptações cinematográficas. A direção dessa vez ficou por conta de Alan Taylor que conseguiu dar constância a uma história que se iniciou desorientada em 2011 nas mãos de Kenneth Branagh. O Deus do trovão teve um filme introdutório, porém superficial, não chegando a qualquer lugar narrativamente, e piorando com um romance frio, igualmente leviano. Esse infelizmente continua. Mas há outros atributos que compensam a falta de lógica e sentido apresentada pelo mais novo filme do universo Marvel. 

Passado quase que inteiramente em dois locais, Terra e Asgard, o filme brinca com essa viagem culminando numa cena abusiva e divertida. A elaboração de Asgard e de outros mundos são perfeitamente montadas pelo competente design de produção que já havia se destacado no longa anterior. Essa transição de vias e contextos é bem vinda a narrativa que oferece um leque de possibilidades, apostando em tiradas cômicas e uma complexidade esclarecida. O roteiro é inteligente ao elaborar uma trama com certa profundidade, no entanto fácil de acompanhar. É bom para o público que visa a diversão – e encontra – num filme que não tem grandes pretensões. Thor tem um novo desafeto, Malekith, que está decidido em destruir os asgardianos pondo fim ao reino de Odin (Anthony Hopkins).   

Entre todos os lançamentos independentes dos heróis que se reuniram em Os Vingadores, esse é possivelmente o mais relevante em termos de ação e ambientação. Ainda que a gente precise esquecer da lógica e especialmente tentar levar a sério a relação de Thor com Jane Foster, ignorando a coincidência absurda que os envolve nessa empreitada sem maiores e decentes explicações, o filme se encarrega de proporcionar uma trama lisonjeira ao Deus do Trovão, trazendo ainda Loki (Tom Hiddleston, novamente impecável) em cenas que seguramente garantirão a diversão dos milhares de espectadores em volta do mundo. As referências a cultura popular em sintonia a ficção proporcionam um tom recreativo, enquanto passeamos pelos nove reinos. Isso é algo para os fãs de cultura nórdica se deleitarem.  

Mais empolgante que o antecessor, o ritmo desse O Mundo Sombrio nunca é quebrado, a não ser por uma bela cena de um velório, ofertado um alento a energia da fita. São 120 minutos que passam despercebidos apresentando coisas que certamente não iremos lembrar, pois pouco é relevante, no entanto são coisas que garantem nossa atenção pela veia cômica. O roteiro também tem a liberdade de tentar pregar uma peça nos espectadores. Consegue o feito sem embaraços. Embora seja vil e maniqueísta, segue a fórmula que vem dando certo sem invenções perigosas. Com atuações convincentes, sobressai o óbvio. Hiddleston simplesmente rouba todas as cenas em que aparece com Chris Hemsworth sendo um mero figurante carismático. Thor está de volta num filme melhorado, porém longe de ser grandioso e imponente tal como seu protagonista sugere. Sem frescor e sem frescuras, segue uma linha conservadora. O problema é que tal linha está se esgotando. Um empecilho para os vindouros!

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Proseando sobre... RED 2 - Aposentados e Ainda Mais Perigosos



Sucesso de público e relativo prestígio de crítica fizeram com que “RED – Aposentados e Perigosos” garantisse uma continuação com o mesmo bom e estelar elenco. Acrescentaram “ainda mais perigosos” no título nacional e pronto, nova aventura a vista, dessa vez com os problemas indo procurar os ex agentes ainda em plena atividade. É um legítimo caça níquel, conforme dizem alguns críticos. O protagonismo ronda Bruce Willis e John Malkovich, este segundo segue espetacular. Já a história é agitada e temperada com frases de efeito, tiradas cômicas e gags funcionais, especialmente com Marvin (Malkovich) e Sarah, esposa de Frank (Willis), vivida pela competente Mary-Louise Parker.

Com a vida tranqüila de um aposentado, Frank segue distante do que fora em seu perigoso ofício, pretendendo dar a esposa toda segurança que outrora lhe impedia. Ele mostra-se dedicado e preocupado com a relação conjugal, temendo que qualquer evento diferente possa fazê-la desandar. Desculpinha inicial, tentativa de fazer o herói ponderar fatos, revela-lo preocupado. Não demora para ele embarcar na onda e esquecer que hesitou. E ele vai ao lado de Marvin, Sarah e Victoria (Helen Mirren). A direção ficou por conta de Dean Parisot (As Loucuras de Dick e Jane) que se encarregou de fazer uma mescla de filme de ação com comédia, sendo feliz em alguns momentos em ambas as investidas.

Nada chama mais atenção do filme senão o elenco primoroso disposto no cartaz igualmente ao filme anterior, mas nesse contamos com o acréscimo de Anthony Hopkins, Catherine Zeta-Jones e o sul coreano bom de briga Byung-hun Lee, o Storm Shadow de “G.I. Joe”. Quem arriscaria ir conferi-lo pela temática? Alguns curiosos, certamente, mas não há motivação maior que Willis e Malkovich brincando com personagens que referenciam suas idades. Sessão de recreação. Outro atrativo diz respeito ao vários locais em que a equipe passa com destaque para Paris e Moscou. Várias cidades do mundo são palco para a ação dos aposentados, constantemente ameaçados por um esquema catastrófico nuclear, cujas proporções varreriam cidades do mapa.

O desenrolar de toda história, notoriamente esquemática e carente de solidez, fica por conta dos personagens que se viram sem grande profundidade – até por se tratar de uma sequência – viabilizando interação com o público, alvo para seus objetivos. Entendemos o que rola, nada nos obriga a refletir, o roteiro ainda prepara uma reviravolta como se essa fosse uma virtude.  De qualidade questionável, o longa parece entender que não passa de uma continuação com potencial de render alguma bonificação financeira aos produtores, tal como ocorreu surpreendentemente no original. Vale como diversão descompromissada, simplória, porém honesta, não querendo dobrar a mente do espectador com pretensões megalomaníacas.   


sábado, 13 de julho de 2013

Proseando sobre... Meu Malvado Favorito 2



O que esperar de uma continuação de uma animação narrativamente limitada que tanto sucesso fez quando fora lançada? A mesma sorte? Talvez sorte seja uma palavra injusta. O fato é que “Meu Malvado Favorito” lançado em 2010 não tinha uma grande história, era até tola demais. Venceu graças a outras coisas: carisma e humor cativante. Fica difícil não se encantar por sua simplicidade. Conquistou as crianças e os adultos com um personagem que funciona como um anti herói juntamente aos pequenos Minions. Ainda soma-se a história 3 garotas adotadas. Nesse segundo filme todos retornam tão frágeis e simples quanto o primeiro. O investimento maior recai sobre os Minions que quase ganham o filme inteiro, mas o protagonismo ainda é de Gru, o vilão herói com sotaque curioso, completamente comprometido pela infeliz dublagem brasileira.

O contraste entre o mundo exterior e o mundo de Gru permanece com menor força. Sua casa segue diferenciada das demais, escurecida e com artifícios que a fazem parecer um lugar sombrio. O preto e o cinza predominam o interior enquanto no exterior cores explodem. O filme é coloridíssimo e abarrotado de coisas consideradas “fofas”. A criançada vai adorar, os mais crescidos irão se divertir e os adultos rirem, apenas rirem, sobretudo quando o filme abre alas para os Minions que anteriormente apareciam episodicamente. Dessa vez eles tem uma função mais importante na narrativa, condensando-a em meio a várias subtramas paralelas tais como a relação de Gru com as meninas, ou com um suposto par romântico, a agente Lucy. Ainda há o crescimento natural de uma dessas meninas, interessando-se por um jovem capaz de fazer o herói morrer enciumado.       

Parte do sucesso do original consistia na explanação dos simpáticos Minions, pequenos seres que trabalhavam para Gru. Agora estes são bem mais exigidos. Formam uma colônia com funções bem definidas. Pra lá de divertidos, são responsáveis pelos melhores momentos de todo o filme. Gags pontuais e uma ou outra cena cômica são bem encaixadas, no entanto nenhuma supera a avalanche final com os números musicais que fará muita gente gargalhar, especialmente a galera de gerações passadas. Quanto a história, esta é simplória: um novo vilão está ameaçando o mundo com uma poção que transforma os infectados em monstros roxos horrendos. A associação Antivilão decide convocar o ex vilão Gru para ajudá-los, pensando que ele poderia antecipar os passos do estranho ameaçador.

Como ponte do filme anterior, além da relação paternal que fez Gru abandonar a vida de malfeitor, dessa vez desponta para o empreendorismo do protagonista que vinha buscando fórmulas de geléias e gelatinas para crianças, tentando levar uma vida boa e honesta, motivado pelo carinho que singelamente desenvolveu pelas filhas. O passado, por sua vez, vem lhe buscar. Leve, a animação é uma bela pedida para um momento descontração em família. Não oferece muito o que pensar, e tampouco se aventura em outros rumos que filmes do gênero mais sofisticados arriscam, porém diverte muito com sua ingenuidade e bons personagens demasiado adoráveis e sorridentes.