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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Diário Cinéfilo: O Exótico Hotel Marigold (The Best Exotic Marigold Hotel, 2011)

Dia: 13 de Janeiro

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O Exótico Hotel Marigold (The Best Exotic Marigold Hotel, 2011)

As atenções estão se voltando para a terceira idade, reconhecimento pra lá de necessário. No cinema também. Em “O Exótico Hotel Marigold”, um grupo de idosos saem da Inglaterra e vão parar em um hotel na Índia, onde acreditavam que teriam dias de mordomias e descanso sem precisar gastar muito dinheiro. Um engano. Ao chegar lá, se percebem num hotel que contraria todas as expectativas. No meio de uma cultura completamente diferente, o grupo passa por provações pessoais num tipo de jornada de auto descoberta, enquanto pensam na finitude da vida e no que fazer com os dias que ainda lhes restam. Tudo nos é mostrado de maneira muito divertida, embora o dramalhão por vezes assombre inevitavelmente por tratar de um assunto como o envelhecimento. A mão do diretor John Madden pesa quando propõe melodrama. O filme ganhou aceitação e as desventuras dos personagens poderão ser conferidas futuramente numa continuação já prometida. O elenco é o maior atrativo, liderado por nomes como Judi Dench, Tom Wilkinson, Maggie Smith e Bill Nighy.
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Direção: John Madden
Elenco: Judi Dench, Tom Wilkinson, Maggie Smith, Bill Nighy, Penelope Wilton e Dev Patel.

sábado, 3 de novembro de 2012

Proseando sobre... 007 - Operação Skyfall

007 é imortal graças a sua representação, legião de fãs, atores que o encarnaram pelas últimas décadas e relevância dentro da indústria cinematográfica. Mas nenhum dos filmes anteriores falou de James Bond, o icônico personagem criado por Ian Fleming: não a persona secreta capaz de realizar proezas imensuráveis, mas a sua pessoa. Corajosamente intimista, o longa se adéqua a expectativas de seus mais fiéis fãs com relação aos feitos e ação, como também garante a aprovação de quem não se interessa tanto pelo agente, uma vez estabelecer um vínculo com o personagem e sua humanidade, passível de sofrimentos e frustrações, e mais, vítima do tempo. Que bom ver o agente mais famoso do mundo respirar novos ares ao longo de seus 50 anos de existência nas telonas. O aniversário da franquia veio ser celebrado por esse novo filme, “Skyfall”, que é, sem sombra de dúvidas, um dos melhores filmes do personagem James Bond.

A cena inicial enérgica dá o tom do que se trata a história até que um tiro certeiro num embate sobre vagões surpreende pela conseqüência, o que nos leva a tradicional apresentação da série, dessa vez impressionante e belíssima, com a canção “Skyfall” interpretada por Adele. Esse prólogo vem acompanhado de uma melancolia até então não existente nas obras passadas, nos levando a uma reflexão sobre as representações dos desenhos e dos simbolismos desta composição de caráter onírico: uma mão gigante que afunda o agente terá diferentes conotações. 

E foi-se o tempo em quem torciam o nariz para Daniel Craig como um novo 007. O ator que estreou como o agente no ótimo “Cassino Royale” leva o personagem a um campo até então não visitado: seu passado. Tal feito exige do ator mais do que virilidade e imponência. Vemos Craig não dotar a mesma eficiência de seus tempos de glória, ofegante em alguns instantes e com a barba por fazer, com muitos fios brancos. Bond envelheceu, mas segue o mesmo com limitações. Daniel é habilidoso em demonstrar essas limitações físicas, com trôpegos e suspiros ressentidos. O diretor Sam Mendes, excelente na direção de elenco, faz um trabalho espetacular com os atores, tirando o melhor de cada com aspirações de outro herói.   

A personagem M, vivida pela sempre competente Judi Dench, nunca teve uma importância tão vital para a trama como em Skyfall. Ela que, após acompanhar Bond por incontáveis missões, chegou a um ponto em que sua liderança passou a ser questionada. Há muito sobre ela, questões consideráveis que o roteiro abrange levando-a a se ligar a Bond e ao vilão. A megalomania típica dos mais saudosos vilões de 007 foi ignorada aqui. O interesse deste, Silva (Javier Bardem) é bem menor, o que confirma uma outra perspectiva da trama toda. Bardem se diverte no papel e compõe um personagem abarrotado de trejeitos marcantes, grotescos, afetado inquestionavelmente pelo coringa de Ledger. Esse, aliás, é outro ponto importante da narração.

É notável a semelhança de alguns momentos da narrativa com “O Cavaleiro das Trevas” de Nolan. Há uma conversa cara a cara entre Silva e Bond que muito se assemelha a de Batman e Coringa na delegacia. Ainda tem referências ao plano do vilão, desenvolvido de maneira muito próxima e personagens que servem como alusão a elaboração do universo do guardião de Gotham, entre eles a relação óbvia entre o herói e seu mentor como algo fraternal. Sam Mendes é um grande diretor, responsável pelo primoroso “Beleza Americana”, consegue tratar com aptidão relacionamentos, influindo no desempenho dramático do elenco. A surpresa ficou com sua efetividade em coordenar cenas de ação. Se essas não são das mais impressionantes realizadas pelo cinema hollywoodiano, ainda mais em tempos em que isso deixou de ser novidade, ao menos são suficientemente empolgantes.

Longo, porém nunca cansativo. A montagem do filme é dinâmica, colaborando com a satisfação do público que não se perde. A linha lógica é seguida com cuidado, culminando em distintos atos excepcionais, como a cena de Bond frente a um psicólogo, perguntado sobre Skyfall. É simples, mas de suma importância pelo seu significado perante o agente. Compreenderemos as razões já quase no ato final. E falar de 007 sem falar das bondgirls, pensando, obviamente, na história da franquia no cinema, não parece justo. Isso, talvez, seja o que há de mais decepcionante no filme, não pelas atrizes que a vivenciam – Naomie Harris e a francesa Bérénice Marlohe que arrebata –, mas por suas importâncias ínfimas. Quanto a técnica, o longa é impecável, robustecido pelas lindas locações em Londres, Istambul, Macau e Xangai. Esse é o filme mais pessoal da série, uma homenagem aos 50 anos de James Bond, e, felizmente, a altura da importância de 007.


quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Proseando sobre... Sete Dias com Marilyn


O filme celebra uma verdadeira diva do cinema, Marilyn Monroe, contando um pouco de sua vida, seus jeitos, seus medos e seus amores – não em plena essência. Não se trata de uma biografia, longe disso, mas aspectos relacionados a uma fase da atriz, seu deslumbramento, doçura contagiante e conveniência ao seu inteligível papel na sétima arte. A irresistível persona da loura ganha a forma de Michelle Williams que a encarna com vigor e respeito. Baseado em dois livros de Colin Clark referente às suas memórias, acessaremos um lado diferente da atriz, longe do glamour e idolatria reconhecida, mas sim sua condição íntima com sofrimentos naturalmente humanos.

O charme vigente persiste e ronda toda a narrativa, no entanto, o que acompanharemos de início é o progresso de Colin Clark (Eddie Redmayne) para seguir carreira cinematográfica. Sua paixão pelo cinema era veiculada a nomes de alguns grandes realizadores, entre eles estavam Laurence Olivier e Alfred Hitchcock. A produtora do primeiro contrata Clark para dar assistência durante filmagens de um novo longa, “O Príncipe Encantado”, que traria Monroe como protagonista e o próprio Olivier dirigindo e atuando. Aí tudo muda! Não termos acesso a verossimilhança dos fatos originais quando intimidades nos são expostas.

Uma vez participando da produção, Colin Clark concretiza seu sonho ao lado do ídolo, Laurence Olivier (Kenneth Branagh). O roteiro de Adrian Hodges busca tratar com cuidado e sem pressa os supostos eventos naqueles tempos, desde as turbulentas vivências nas filmagens – atrasos e esquecimento de falas por parte de Monroe – até o romance febril entre ela e Clark. Nesse meio, vários personagens se somam, entre eles estão Arthur Miller (Dougray Scott), Sybill Thorndike (Judi Dench), Milton Greene (Dominic Cooper) e a eternizada Vivien Leigh (Julia Ormond). A direção sem tanta classe é de Simon Curtis.

Dentre notáveis constatações, é inegável que o filme é de Michelle Williams, seu provável mais importante trabalho que lhe rendeu consideráveis indicações e premiações. Comparações entre ela e Marilyn são inevitáveis, mas serão necessárias? A energia da narrativa está justamente na atuação, em sua estrela cintilante. Williams trabalha bem, dá dignidade e explora com desenvoltura a lascívia desinibida da loura ao passo que não se distancia de sua vulnerabilidade frente a algumas situações.  

Nesse cenário, retoma-se uma grande fase do cinema bem como algumas de suas mais importantes personalidades. É pra fazer qualquer cinéfilo se deleitar, embora o roteiro não enfatize nada e tampouco seja tão atrativo como se supunha, afinal, é uma produção com potencial considerável em vários âmbitos. Desta forma, com tão pouco a dizer, o que vale mesmo é o acompanhamento sugerido pelo livro de memórias para nos aproximarmos de quem realmente foram as figuras presentes. E Michelle Williams – novamente é importante frisar – com sua beleza estonteante e seus notáveis atributos físicos remetem diretamente a Marilyn Monroe e seu inesgotável encantamento. Aos fãs de ambas as loiras, é imperdível.