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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Diário Cinéfilo: O Exótico Hotel Marigold (The Best Exotic Marigold Hotel, 2011)

Dia: 13 de Janeiro

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O Exótico Hotel Marigold (The Best Exotic Marigold Hotel, 2011)

As atenções estão se voltando para a terceira idade, reconhecimento pra lá de necessário. No cinema também. Em “O Exótico Hotel Marigold”, um grupo de idosos saem da Inglaterra e vão parar em um hotel na Índia, onde acreditavam que teriam dias de mordomias e descanso sem precisar gastar muito dinheiro. Um engano. Ao chegar lá, se percebem num hotel que contraria todas as expectativas. No meio de uma cultura completamente diferente, o grupo passa por provações pessoais num tipo de jornada de auto descoberta, enquanto pensam na finitude da vida e no que fazer com os dias que ainda lhes restam. Tudo nos é mostrado de maneira muito divertida, embora o dramalhão por vezes assombre inevitavelmente por tratar de um assunto como o envelhecimento. A mão do diretor John Madden pesa quando propõe melodrama. O filme ganhou aceitação e as desventuras dos personagens poderão ser conferidas futuramente numa continuação já prometida. O elenco é o maior atrativo, liderado por nomes como Judi Dench, Tom Wilkinson, Maggie Smith e Bill Nighy.
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Direção: John Madden
Elenco: Judi Dench, Tom Wilkinson, Maggie Smith, Bill Nighy, Penelope Wilton e Dev Patel.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Proseando sobre... O Vingador do Futuro (2012)


Há 22 anos Paul Verhoeven lançava “O Vingador do Futuro” estrelando Arnold Schwarzenegger. O filme foi um marco para a época, revolucionando os efeitos especiais e emplacando o gênero da ficção científica através de uma boa história futurista. Duas décadas depois, uma refilmagem molesta atrelada a ótimos efeitos especiais foi concebida, tão desnecessária que nenhuma cena justificou seu feito comparado ao filme original, o que nos leva a questionar sua realização e intenção. Hollywood está mesmo carente de boas idéias. A direção deste é de Len Wiseman, roteirista e diretor relativamente famoso pela desastrosa série “Underworld - Anjos da Noite“. Misturando a competência do realizador com a escolha tola de refilmar uma obra bem sucedida lançada a menos de 30 anos, boa coisa não poderia sair. 

O planeta devastado nesse tempo futuro agora conta apenas com duas regiões habitáveis que espremem a população em pequenos apartamentos. Uma delas é a rica Federação Britânica, dotando de elegância, tecnologia e um exército de andróides. Ela conta com força o bastante para marginalizar a outra, a Colônia, que convive com pobreza em prédios opulentos. Levanta-se a idéia de “Metrópolis” de Fritz Lang, comparação que talvez soe ofensiva para alguns. Wiseman, sem talento na forma de contar histórias, é ao menos eficiente em retratar os contextos distintos dos locais sem forçar a barra. Vemos a diferenciação desses extremos através das tomadas de perseguição, constatando a diferença de uma localidade a outra. Uma é mais amena e límpida, enquanto a outra é turva e bagunçada. Para viajar da Federação Britânica até a Colônia, usam o veículo chamado “A Queda”, que atravessa o planeta subterraneamente.

Sai Schwarzenegger e entra o irlandês Colin Farrell no papel de Doug Quaid, um operário que sofre com a profissão esgotante e repetitiva que nada lhe oferece de novo ou de perspectiva profissional. Cansado dessa rotina e atormentado por pesadelos recorrentes que envolve uma fuga e uma bela mulher, o rapaz desejando ter algo mais interessante no que pensar vai até a Rekall, empresa que implanta memórias tornando as lembranças da vida menos miseráveis. É neste lugar que Quais irá descobrir verdades a respeito de seu passado e desencadear uma perseguição mortal, levando o espectador ao atributo mais significativo do longa: a ação.

A correria proposta é das mais empolgantes com cenas bem filmadas – há exageros pontuais do diretor, como a cena de abertura quando o herói derrota uma série de oponentes durante um único take. O personagem Doug Quaid poderia contar com mais profundidade, seu passado dúbio é ignorado com segredos infimamente revelados nesse projeto que não encontra tempo para trabalhar fundamentos. O que importa, afinal, senão a ação? Nesse meio, duas mulheres oferecem beleza e perigo. Lori (Kate Beckinsale) traz na fisionomia traços de sua Selene de “Anjos da Noite”, sendo uma perseguidora hábil e implacável. Em outra instância, Melina (Jessica Biel), igualmente sagaz, destoa da primeira pela fragilidade no olhar. Outros bons e necessários personagens são vividos por Bill Nighy e Bryan Cranston. 

Ferido por uma lógica tola e apressado para não nos deixar pensar em seus equívocos narrativos, o longa de Wiseman é um estupor de clichês e um emaranhado de desperdícios. Sendo um filme de violência, a violência propriamente dita é contida. Tudo é reprimido demais, correto demais, resultado de uma possível censura para um filme que pretende arrecadar milhões. Não se vê sangue, se vê arranhões. Aquilo que Paul Verhoeven concebeu de maneira torpe, bizarra e polemicamente humorada converteu-se num longa babaca, banal e esquemático, tal qual a tantas outras obras cujo objetivo é alimentar fãs de ação sem estimulá-los intelectualmente. Não deverá demorar para ser esquecido.