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domingo, 2 de junho de 2013

Proseando sobre... Velozes e Furiosos 6



Deixou-se de se levar a sério há muito tempo. Mas alguma vez se levou? A franquia “Velozes e Furiosos” segue a toda velocidade, chegando ao seu sexto filme. E vem mais, posso adiantar. Mais do mesmo cada vez mais descomedido. Nesta parte, o grupo liderado por Dominic Toretto é recrutado pelo implacável policial Luke Hobbs.  A missão é parar o terrorista Owen Shaw que vem ameaçando o mundo. Em troca do serviço, o perdão pelos crimes passados, o que devolveria a todo o grupo a liberdade que tanto almejam. Há ainda um outro motivador especial para Toretto, a possibilidade de encontrar sua ex, Letty, aquela que acreditava estar morta. Após o espectador sentar na poltrona, terá mais de duas horas de muita velocidade, fúria, absurdos mirabolantes e demasiada diversão. Se está longe de ser um grande filme, ao menos cumpre o que promete: divertir. Isso basta para alguns. 

Trazendo quase todo o elenco dos filmes anteriores, “Velozes e Furiosos 6” é um ode a recreação descompromissada, especialmente para aqueles que apreciam carros. Há ainda o acréscimo de violência, com embates bem mais ostensivos comparados aos anteriores. Destaca-se o confronto lascivo entre as personagens de Michelle Rodriguez e Gina Carano. A franquia vem perdendo a força, mas não os fãs. As novidades ficam por conta das locações e dos planos espalhafatosos que envolvem constantes perseguições e improvisações perigosas. O grupo de Toretto as faz muito bem. O exagero marca presença duramente e o roteiro pouco oferece de substancial. A fita é um autêntico enérgico filme de ação dos mais impressionantes. É só isso. Para muitos isso é muita coisa.       

O diretor Justin Lin, que não larga a cadeira de direção desde Velozes e Furiosos: Desafio em Tóquio (The Fast and the Furious: Tokyo Drift, 2006), não está preocupado em elaborar uma grande história para seu filme. Entende bem seu público e o que este busca. Ele precisa apenas de uma desculpa para criar uma continuação, um vilão que tenha gosto por carros, locações com estradas atraentes e grana para trabalhar os efeitos especiais. Está faltando descobrir a Austrália e encontrar, quem sabe, alguns personagens de Mad Max - Além da Cúpula do Trovão (Mad Max Beyond Thunderdome, 1985) e enlouquecer com perseguições frenéticas ao som retumbante proposto por uma trilha sonora pesada e barulhenta, tal como os motores possantes dos carrões exibidos em cena. 

Funcional em praticamente todas as cenas de ação, o trabalho final não é nada preguiçoso. Desenvolve-se agilmente e permite que a gente compreenda o que está acontecendo. Justin Lin é bastante competente ao dirigir tais cenas, fazendo-as enternecidas por tensões sensoriais obrigando o público a não piscar diante o que testemunham. Ao contrário de um Michael Bay da vida, não depende unicamente de pirotecnia. As conclusões destas, por vezes, estragam o todo. É assim em dois momentos cruciais: a perseguição na ponte junto a um tanque e a do aeroporto cuja pista é interminável. Ambas são cenas longas, vigorosas e precisas, porém culminam em atos mágicos através de disparidades heróicas capazes de serem realizadas unicamente por quem tem poderes sobre-humanos, o que não é o caso dos personagens do filme. Sem propósito a não ser impressionar quem assiste, acaba soando ridículo.

Vin Diesel com seu talento dramático oferece um contido Dominic Toretto quando este descobre a verdade sobre o passado de Letty. Paul Walker está inutilizado – a cena em que ele viaja para os Estados Unidos atrás de uma informação importante é totalmente descartada minutos depois, demonstrando a importância de seu personagem encaixado no roteiro. Dwayne Johnson que ganhou papel em Velozes e Furiosos 5 - Operação Rio (Fast Five, 2011) retorna explodindo em testosterona, na cola dos perseguidos e do vilão Owen Shaw, vivido por Luke Evans. Diante tanta masculinidade, músicas, “pegas” e brutalidade, outra característica da franquia marca presença: o humor. Este aparece episódico, como alívio as tensões erradicadas pela intensidade da ação que não cessa. 

O fato é que “Velozes e Furiosos” tem suas próprias regras físicas e questionar o que acontece é bobagem, já que trata-se de uma realidade alternativa; ou de mutantes, talvez. Esperar um filme que leve a sério o que visa tratar é uma expectativa tola, jogada pelo ralo desde o primeiro filme. Já faz um bom tempo que este fora lançado. Sem previsão de fim, é bem provável que a gente assista coisas ainda mais absurdas e extravagantes, reforçadas pela tecnologia crescente em máquinas velozes que funcionam como armas. Uma cena pós créditos – ótima, é preciso reconhecer – cria a expectativa por um próximo que deverá ser ainda mais desvairado e alucinado com a presença de um novo e, aparentemente, mais bravio vilão. Alguém que manja de carros cheio de carga explosiva. Será um provável estouro. 



sábado, 7 de maio de 2011

Proseando sobre... Velozes e Furiosos 5 - Operação Rio


Vin Diesel, Paul Walker e Jordana Brewster estão de volta numa operação Rio, melhor dizendo, num serviço no Rio. “Velozes e Furiosos” retorna a toda velocidade trazendo o que a franquia tem de melhor. Compete a um filme como esse provocar recreação, seja por sarcasmo, ironia ou unicamente pela ação costumeiramente imperadora que molda e dignifica o projeto. Fugir disso é uma ousadia que essa quinta parte – ou terceira, seguindo a lógica dos personagens do primeiro filme – não ousou fazer. A direção continua a cargo de Justin Lin que assumirá em “Desafio em Tóquio”, e a franquia, já consolidada como uma das mais carismáticas, segue cumprindo bem seu papel de proporcionar muita diversão com carros velozes e personagens furiosos.

Todos se lembram do final do quarto filme? Este inicia a partir daquele ato com uma típica cena catastrófica dando indícios do que viria a seguir. Os personagens vão ao Rio de Janeiro (as locações ocorreram em Porto Rico e na própria Cidade Maravilhosa). E pensar que um dos lugares almejados como destino por Letty (Michelle Rodriguez) antes de morrer no quarto longa era o Rio de Janeiro, mas ninguém se lembrou disso. O Corcovado vislumbra a cidade com os novos habitantes liderados por Dominic Toretto (Diesel). Os caras estão querendo encerrar essa vida de fuga, e lançam questões pseudo existenciais sobre esse meio não valer a pena. Há ainda um agravante para a família Toretto que mais do que nunca, deverá cuidar de Mia (Brewster). No Rio de Janeiro, eles não estão passeando por Copacabana, estão escondidos nas favelas.

O roteiro escrito por Chris Morgan é uma injeção de testosterona que pouco convence em seu desenrolar recheado de momentos e diálogos nulos e seqüências inexplicáveis. A necessidade de oferecer cenas de ação a partir de qualquer estímulo e oportunidade é agarrada firmemente por Lin a partir da sugestão do roteiro, e impressiona que essas surjam, na maioria das vezes, com naturalidade. E quando todos pensaram que veriam disputas entre carros tunados como acontecia nos primeiros filmes, esta quinta parte simplesmente ignora e corta. Elas não existem aqui. É visível que o interesse da franquia passou a ser outro, quer ser mais prudente seguindo o amadurecimento de seus protagonistas. Para quem se decepcionar com este fato, terá de se contentar apenas com uma disputa entre viaturas.

Justin Lin cria um filme grosseiro abarrotado de cenas movimentadíssimas, destaque para uma em seu ato final a qual uma perseguição domina e incendeia o longa com seu absurdo funcional. Há também no meio de tanta correria uma dose de violência física protagonizada pelos gigantes Vin Diesel e Dwayne Johnson, este segundo vive um policial implacável e de índole questionável. O Rio de Janeiro em cena constata uma visão de um povo que não a conhece como os brasileiros e termina retratada segundo a noção estereotipada que alguns gringos tem do Brasil.

Mulheres semi nuas, favelas, corrupção, violência e futebol são detalhes que praticamente insinuam fazer parte da terra Tupiniquim sem precisar utilizar pontos turísticos afim de situar o público. E essa idéia deverá incomodar muitos brasileiros. No entanto, ao tentarmos ignorar isso, e nos concentrarmos somente no filme e o que esse trata em sua narrativa, perceberemos que “Velozes e Furiosos 5” cumpre bem sua proposta e ganha pontos por resgatar personagens dos projetos anteriores. O popular ator português Joaquim de Almeida também dá as caras como um antagonista furioso, mas não tão veloz.