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terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Diário Cinéfilo: Procura-se um Amigo para o Fim do Mundo (Seeking a Friend for the End of the World, 2012)



Dia: 06 de Janeiro

9- Procura-se um Amigo para o Fim do Mundo (Seeking a Friend for the End of the World, 2012)

O mundo não acabou. O que acabou foi a influência que a previsão vinha exercendo no cinema. Foram vários os longas que trabalharam o fim do mundo estimulados pela presciência. Inclui-se essa comédia dramática, “Procura-se um Amigo para o Fim do Mundo”, dirigida por Lorene Scafaria, lançada em 2012, que trazia a idéia do fim a partir de outra ótica: a solidão frente ao inevitável. O mundo vai expirar. O que você fará nos últimos dias? É uma questão proposta no meio da narrativa. Dodge (Steve Carell) foi abandonado pela mulher e está solitário, existencialmente falido, percebendo seu perecimento antes mesmo do meteoro se chocar com a Terra. Ele não demonstra desespero, reprime sua angústia e vivencia a aflição em momentos introspectivos, seja enquanto dirige ou durante uma festa, quando vai parar dentro de uma banheira vazia. Mas o que se passa em sua mente? Certamente, na dele, questões mal resolvidas do passado, as quais ele não terá tempo de contornar. E nas nossas, não passariam coisas semelhantes? A coisa toda muda um pouco quando ele conhece sua vizinha Penny (Keira Knightley) que leva consigo alguns discos de suas bandas prediletas. É um filme bastante doce, de melancolia notável e valores enredados em impossíveis realizações.  


Direção: Lorene Scafaria
Elenco: Steve Carell, Keira Knightley, Adam Brody, Connie Britton, Rob Corddry e Martin Sheen

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Proseando sobre... O Espetacular Homem-Aranha


Quando o primeiro “Homem-Aranha” surgiu, a novidade vista em tela logo tomou grandes proporções chegando a vários públicos com o charme e a aventura fantástica contagiante, cujos recursos cinematográficos davam um gás nunca visto até então no cinema convencional. Era sensacional para a época. Desta obra dirigida por Sam Raimi, originaram outras duas constituindo uma boa trilogia. Eis que agora tudo se renova, ao menos na produção. Outros rostos por trás e em frente à tela conceberam este “O Espetacular Homem-Aranha”, um reboot que está mais para uma revisitação do primeiro filme, algo que, de imediato, causa estranheza. É o mesmo com outra vertente. Comparações são inevitáveis, porém desnecessárias. Franquias desse tipo sempre irão se renovar. O risco é a graça do gênero se perder. Aliás, já está se perdendo.   

A agraciada comédia romântica “(500) Dias com Ela” rendeu bons frutos ao diretor Marc Webb. Ele fora chamado para assumir a nova trilogia do aracnídeo. O que se vê então de contraste com essa e aquela primeira versão lançada em 2002? A paixão de Sam Raimi, fã dos quadrinhos frente à perspectiva de Webb que está prestes a se firmar em Hollywood. A ideologia sobre responsabilidades de seu protagonista segue pregada, no entanto o ideal germinado toma outros rumos sobre a persona Peter Paker. O ator Andrew Garfield que vive o herói já demonstrava talento lá em “Leões e Cordeiros”, esteve em “O Mundo Imaginário do Doutor Parnassus” e fez sucesso em “A Rede Social”, mas foi no ótimo “Não me abandone jamais” que comprovou habilidade dramática. Garfield é, sem dúvidas, o melhor Peter Parker do cinema. Ele entrega todo o universo desse personagem com facetas de um autêntico nerd sofrendo na escola e nos relacionamentos. O roteiro viabiliza oportunidades para o ator trabalhar o protagonista, entre eles alguns apoios visuais enlaçados a direção artística: por exemplo a composição de seu quarto com aparatos tecnológicos e o pôster de “Janela Indiscreta” estampando o personagem vivido por James Stewart representando tão bem seu hobbie, a fotografia. 

Essa noção de personagem é bem conduzida por Webb que trabalha igualmente bem com Emma Stone que encarna Gwen Stacy, o primeiro amor de Peter; e Rhys Ifans que empresta o corpo ao cientista Dr. Curt Connors. O trio bem trabalhado tem motivações esclarecidas, embora algumas coisas ignoradas pelo roteiro – com intenções óbvias de se trabalhar futuramente – se mantenha, às vezes comprometendo o desenvolvimento do texto. Por exemplo a história relacionada ao desaparecimento dos pais de Peter Parker. A narrativa é mal amarrada, é acelerada embora o filme conte com uma longa duração. Ao menos nada é gratuito, temos tempo de conhecer trajetórias, os medos e inseguranças convertidas em fundamentos e princípios tornando o herói suficientemente complexo. A identidade escondida, algo essencialmente introduzido na trilogia de Raimi, não é uma preocupação aqui. Parker tem a face exposta em vários momentos enquanto traja o uniforme. 

Filmado em 3D, algo que aparentemente Marc Webb não tem tanta prática, o que se destaca no longa são os bons efeitos sem a tridimensionalidade. Já nem vale tanto elogiar os efeitos especiais. São melhores que nos filmes anteriores, claro, no entanto parecem pequenos comparados a novidade de outrora. Hoje este artifício já não é tão exaltado por ser demasiado comum e notadamente obrigatório em produções semelhantes. O mérito é exclusivamente da história, de seus bons personagens. Emma Stone, carismática e com uma voz inconfundível, é rejuvenescida para viver Gwen Stacy aos 17 anos. Ao lado de Garfield, um casal mais comovedor do que Tobey Maguire e Kirsten Dunst é formado. Martin Sheen nos entrega um ótimo Tio Ben ao passo que Sally Field, que teve o grande momento da carreira estacado nos anos 80, faz uma Tia May pouco verossímil. 

A ótica desse início de franquia abraça novos contextos e se fixa na ciência, na possibilidade de criação, da perfeição. Desta maneira, o ótimo Duende Verde vivido idoneamente por Willem Dafoe dialoga com Dr. Curt Connors num aspecto mental, estando Rhys Ifans edificando o bom antagonista com suas contradições e privações. “O Espetacular Homem-Aranha” é filme de caracterizações cuja força se mantém nos seus bons personagens, mas que se perde no desenrolar da história quando restringe-se a uma rede de coincidências. O cara que gosta da moça vai travar um duelo com o mentor dessa enquanto escapa da perseguição do policial que, naturalmente, tem vínculo direto com a mesma mocinha. Basicamente é isso. O tempero da trama, por sua vez, é o humor dos personagens e as caras e bocas destes. Não faltam piadas e gags inflamando risadas. É de fato um filme divertidíssimo, pequeno perante a representação de quem é o “Homem-Aranha” de Stan Lee, mas convincente, descompromissado e leve. Um ar da graça para uma geração que não acompanhou o que Sam Raimi realizou.