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sexta-feira, 16 de março de 2012

Proseando sobre.. John Carter


 Não surpreende que muita gente saia da sessão de “John Carter” pensando que já viu isso ou aquilo antes. É natural, fica difícil não se lembrar de tantos outros projetos, como “Gladiador”, “Avatar” ou “300”. Não só pelas cenas de combate, mas pela trajetória de seus personagens centrais bem como seus costumes e passados. Porém, esse tal John Carter possui uma existência longa, ele já tem um século. O personagem foi concebido em 1912 por Edgar Rice Burroughs, o mesmo que criou Tarzan. A obra já foi alvo de adaptações cinematográficas, mas essas fracassaram. Portanto, o ar de reciclagem termina aí. “John Carter” é original, um ícone que finalmente ganhou vida nas telonas e que terá, provavelmente, militantes em sua defesa.

O título original da obra era “John Carter of Mars”, esse se despedaçou, ficando apenas com “John Carter”, ganhando ainda um subtítulo, “Entre Dois Mundos”. Terra e Marte, os dois universos em que a história se desenrola. Um homem está em busca de uma caverna com ouro, sem nada a perder e atormentado por lembranças familiares, ele se revela um fora da lei em solo western, o que de imediato nos apresenta suas habilidades acrobáticas e potencial de fuga. Num ato, ao fugir de uma tribo indígena, acaba chegando até essa caverna e se depara com um ser sobrenatural responsável por levá-lo a Marte!

A ambientação marcada por um cenário deserto, próprio para expor o planeta vermelho rochoso, é um diferencial neste trabalho de Andrew Stanton, famoso roteirista e diretor da Pixar (ele têm no currículo “WALL·E” e “Procurando Nemo”, além de ter escrito a trilogia “Toy Story”). “John Carter” é o primeiro filme de Stanton longe das animações, embora não se desprenda das técnicas dos estúdios e dos efeitos especiais magnânimos, além da direção artística marcada pela fantasia. Marcianos, ou melhor, os Tharks, são elaborações interessantíssimas da produção, constituídos como seres verdes e enormes com 4 braços. Outros monstros concebidos detalham as criaturas no planeta, sempre veiculadas a algum tipo de exagero: patas, velocidade, força.

Se a elaboração técnica do longa é um primor, o roteiro mastigado é simplista, algo que talvez não deva ser encarado como um aspecto negativo da produção. Devido à diversidade de longas que sugeriram coisas em comum, reduziu quase toda a novidade de “John Carter” a quase zerp, restando poucos e inspirados momentos. O diretor esbanja familiaridade com a técnica em CGI, compondo figuras genuínas. A execução das diferenças entre os planetas também é um ponto interessante na trama: a chegada de John Carter a Marte e sua adequação com a diferença gravitacional rende piadas entretidas, igualmente quando tenta comunicar-se com os estranhos habitantes, rendendo-lhe temporariamente um outro nome: Virgínia, nome de sua terra.

Funcional com o público jovem, “John Carter” diverte enquanto procura laborar assuntos mais sérios. Piadas não faltam, centradas justamente no herói e num monstro carismático, uma espécie de cão de guarda marciano. No percurso sugerido pelo roteiro, somam-se situações: intrigas entre tribos, um casamento favorecendo trégua entre povos e um passado amargo de seu protagonista, vivido pelo pouco conhecido Taylor Kitsch (o Gambit de “X-Men Origens: Wolverine”).  No elenco também estão Willem Dafoe como Tars Tarkas, o líder da tribo dos já mencionados Tharks; Dominic West com faceta do subordinado Sab Than; e Mark Strong, novamente encarnando um vilão. Naturalmente, Carter vive um romance, não poderia faltar: a musa da vez é a texana Lynn Collins, com uma silhueta libidinosa exibindo o corpo em forma e avermelhado.

Ansiando e prometendo ganhar a atenção de uma geração, “John Carter” se revela um projeto eficaz, porém modesto no que diz respeito a sua história e dimensão. Tem suas limitações narrativas e planos demasiadamente cadenciados, o que torna a condução por vezes vagarosa e insossa. Sua duração já denunciava isso, todavia o humor vêm balancear e aliviar esse arrasto. É diversão quase garantida, ainda mais para os fãs de universos fantásticos e conflitos épicos. É bom, também, para revitalizar uma produção perdida e trazer definitivamente um antigo herói da literatura para os cinemas e ganhar fortunas com ele. 



sábado, 20 de agosto de 2011

Proseando sobre... Lanterna Verde


Lanterna Verde” chega atrasado ao país, vem trazer a história de um dos mais curiosos heróis da DC Universe e entra de cabeça num mundo completamente idealizado, o planeta Oa onde residem os guardiões do universo. Lá se reúnem os Lanternas Verdes, cada qual representando um povo, entre eles aparecerá um terráqueo. Já na terra, um teste nas alturas denuncia a irresponsabilidade e o temor de um jovem piloto, Hal Jordan (Ryan Reynolds) que, exibicionista, arrisca a pele para não sair por baixo durante a apresentação de um projeto. Jordan será o escolhido para usar o poderoso anel que fora do Lanterna Abin Sur, mas para converter-se em um verdadeiro Lanterna Verde, também terá que mudar de conduta e assumir, de vez, a maior das responsabilidades, defender seu mundo, atributo que necessita de coragem, bravura e vontade.     

Demonstrando sua total falta de apego a mulheres e a família, – seus irmãos e a loira que acorda ao seu lado no primeiro ato simplesmente desaparecem do filme – Hal parece se interessar unicamente com sua vida, pouco se importando com eventos exteriores e julgamentos morais a seu respeito, uma vez estar ciente de seu status irretocável por ser filho de um famoso e idolatrado piloto morto num acidente. Esse acidente, aliás, ganha tremenda importância na primeira metade do filme, sendo esquecido posteriormente, comprometendo algum teor dramático sério e complexo que poderia se encarregar do personagem. Se não bastasse tantos equívocos do roteiro de 4 escritores, ainda não entendemos qual é a de Carol Ferris (Blake Lively), inicialmente aversiva ao personagem de Reynolds para logo após se revelar uma admiradora fiel e apaixonada do rapaz.

Se falta alguma liga nesse roteiro quebradiço, ao menos há alguma ação e efeitos especiais contagiantes, porém não rebuscados. A caracterização de Oa é luxuosa, seus habitantes também são fortalecidos com personalidade e riqueza de detalhes, – destaca-se Sinestro (Mark Strong) – e o uniforme do Lanterna Verde é outro trunfo certeiro. O filme se vale da técnica para esconder a história toda atropelada e de conteúdo limitado, o que piora quando percebemos algum potencial desperdiçado como as imagens inconscientes que surgem em momentos de grande estresse em Hal Jordan, ou a relação entre o cientista Hector Hammond (Peter Sarsgaard, o grande nome do filme) e seu pai, o Senador Hammond (Tim Robbins). Hector demonstra uma total mágoa diante sua expectativa em fazer parte da ação dos planos do país, mas por ser desacreditado pelo pai, sempre figurou em segundo plano. Sarsgaard é inteligente ao montar o caráter e habilidades de seu personagem, pouco a pouco transformando-se num vilão deforme, perdendo espaço unicamente devido a Parallax, um monstro de dimensão assombrosa, que faria frente a Kraken.

Priorizando os efeitos e a ação embutida, o diretor Martin Campbell (de “Cassino Royale” e “Contra GoldenEye”) explora contidamente as possibilidades de seu herói, uma vez que, ao criar o que quiser com o anel, poderia abusar da criatividade, o que influiria diretamente no orçamento. É interessante notar a criatividade do protagonista relacionada a situações de seu cotidiano, como os caças, a pista de carros e socos. Ryan Reynolds tem carisma, dá credibilidade ao Lanterna Verde e imortaliza seu nome como o herói no cinema. Num filme em que mais do que percorrer seu destino portando o anel dos escolhidos, busca tratar de virtudes humanas e o quão essas podem ser influentes. O medo como vilão é um argumento valioso, mas muito mal aproveitado. Se vier uma segunda parte, que traga a essência do universo de Lanterna Verde e não apenas os efeitos custosos para parecer interessante.