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sábado, 8 de setembro de 2012

Proseando sobre... Totalmente Inocentes


Comédia nacional em tom de sátira. Nem parece. “Totalmente Inocentes” vem fazer algo diferente no cinema brasileiro, satirizar algumas de nossas produções de sucesso. Já temos um nicho interessante que trata de favelas, assunto que tornou-se um subgênero de apelo comercial.  Expoentes obras como “Cidade de Deus” e “Tropa de Elite” são lembradas aqui. Essa brincadeira dirigida pelo estreante em longas metragens Rodrigo Bittencourt parece querer ser descolada, diferente, com figuras da moda, estrelas da internet e recursos visuais diferenciados. Artifícios gráficos, desenhos que dão a falsa impressão de HQ e tomadas de animação são algumas das alegorias tratadas que nada acrescentam e pouco somam as pretensões do filme. 

O escracho é evidente, sátiras se baseiam normalmente no que pode ser ridículo em projetos prontos, é expor o absurdo e brincar com a infinidade de possibilidades para transmitir alguma graça. Se alguém quer dar risada e vê no projeto de Bittencourt uma oportunidade, reflita se costuma se divertir com os quadros de Zorra Total. Se sim, este filme será aproveitável. Com uma trama simples, seguiremos as investidas de 3 jovens personagens que carregam o tom de pureza do título. Trabalha-se com crianças, crianças que moram em favelas e tem sonhos, crianças que observam líderes dos morros como heróis a serem admirados, símbolos de sucesso para o futuro. Da Fé (Lucas D' Jesus), Bracinho (Gleison Silva) e Torrado (Carlos Evandro) são os 3 que se meterão em várias confusões. Oportunidades de aprofundamento e discussão a cerca de valores morais e sociais a respeito da projeção dos envolvidos no meio de violência é algo que em certo momento parece acontecer. Logo é descartado e retoma-se o ridículo. 

Da Fé é apaixonado por Gildinha (Mariana Rios), bela morena que atrai os olhares dos moradores do morro DDC – referência óbvia ao morro CDD em “Cidade de Deus”. Mas ela não se apaixona por bandidos, como a própria diz. Instigando sucesso, vai buscar estágio na revista "Tapas e Tiros", local que trabalha o desafortunado jornalista Wanderlei (Fábio Assunção), incumbido de realizar uma matéria de capa após ter fracassado numa reportagem passada. A premissa se baseia sobre essa idéia, culminando num conflito entre o atual líder Do Morro (Fábio Porchat) e a ex dirigente do mesmo, a travesti Diaba Loura (divertidamente vivida por Kiko Mascarenhas). Condensado por um humor prático e numa jocosa alusão a policiais, pasteleiros e traficantes de armas, o filme é regido por banalidades.  

A direção de fato é precária, ao menos é bom ver alguns atores se divertindo com seus personagens, embora alguns careçam de originalidade e por muitas vezes se adeqüem a estereótipos tolos. Ingrid Guimarães vivendo Raquel, uma lésbica devoradora de mocinhas, tinha potencial para ser divertida, mas terminou caricata, igualmente a outras personas ao longo da narração. Com figuras triviais da internet, os produtores encontraram uma forma de levar mais gente ao cinema. É difícil agüentar Felipe Neto em seus videocasts narrando acontecimentos no morro. Uma baita chateação. A ingenuidade se confirma na direção desastrosa e sem personalidade. De inocência, o filme não tem nada. Minha sugestão seria: totalmente ordinários.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Proseando sobre... Não Se Preocupe, Nada Vai Dar Certo



O bordão presente no título poderia servir como desculpa para resultado final do filme. A premissa traz pai e filho pegando a estrada realizando golpes por onde passam. Sem escrúpulos, o patriarca Ramon Velasco (Tarcísio Meira) não passa impune em nenhum lugar, o que lhe obriga a viver uma vida cigana, mudando-se constantemente junto ao filho e ao veículo que carrega o título “Não Se Preocupe, Nada Vai Dar Certo”. Cansado de seguir o pai, Lalau (Gregório Duvivier) após receber uma proposta, não pestaneja e decide aceitar em troca de uma boa grana. Ele abandona Ramon e parte para a cidade maravilhosa a fim de viver uma farsa. As confusões dessa escolha são pra lá de preocupantes.

Levar essa proposta pessimista do bordão que intitula o longa tem algo de otimista baseado nas desventuras de seus personagens, pois, qualquer coisa que contrarie tal afirmação é benéfica. A expectativa jamais é frustrada. A narrativa carrega essa idéia com um humor brando, mas geralmente falho. O roteiro do experiente Paulo Halm (que dirigiu recentemente o bom “Histórias de Amor duram apenas 90 Minutos”) se apóia no stand-up comedy do protagonista Lalau, mostrando as histórias contadas pelo rapaz durante o show, o que denuncia a relação entre pai e filho.

Destaca-se nesse meio a jornada da dupla, um segue ao Rio encarnando um falso guru indiano, o que o leva a ser acusado por um grave crime; o outro, adepto da representação, assume distintas identidades, calcando em sua performance a mensagem do ser artista e sua entrega, embora intencionalmente canastrona, a arte de representar. O diretor Hugo Carvana (“Casa da Mãe Joana”, “O Homem Nu”) propõe sutilmente a reflexão do papel do artista no modelo itinerante e logo insinua, em cena, a dificuldade de se fazer arte no país. Aí entra o trunfo do roteiro, o dinheiro e o que as pessoas são capazes de fazer por ele. As notas de reais e dólares tornam-se divindades palpáveis em meio a tantas.

Com um olhar crítico e atores dispostos a fazer jus a proposta do longa, Hugo Carvana entrega mais uma comédia ao cinema nacional, utilizando piadas incapazes de causar gargalhadas, mas potenciais em manter um ritmo recreativo. Fraco nas suas pretensões por falta de ousadia e por tornar a crítica social secundária, o filme só garantirá atenção por essas minúcias as vezes inspiradas e pelas atuações convincentes, especialmente com Tarcísio Meira que claramente se diverte em cena num registro idealizado falsamente boêmio. Na arte de representar, entram as aparências. Duvivier se mostra bem como protagonista em um filme que muito lhe exige, ao contrário de seu desempenho no simplório “Apenas o Fim”. Também estão no elenco Flávia Alessandra, Ângela Vieira, Herson Capri e Mariana Rios – essa última numa participação especial, simbolizando a saudade e o conforto o qual esses artistas abrem mão em nome de sua arte.